talvez sem pausas

talvez eu precise escrever alguma poesia para desintoxicar dos medos e dos sustos e das desesperanças que apesar de todo meu empenho em afastá-los insistem em bater na porta da minha mente insuflando as falhas que eu havia tentado murchar

talvez eu precise parar de olhar tão para dentro de mim mesma ou muito ao contrario talvez eu precise realmente parar e olhar para dentro de mim mesma

talvez o melhor seja mesmo lembrar da minha grande e absoluta e indiscutível responsabilidade sobre tudo o que acontece dentro e fora de mim e ao meu redor e ao redor de tudo o mais e das pessoas e das coisas e das atitudes que tomam e que eu tomo às vezes sem pensar

talvez o fato de não pensar muito sobre as coisas não deva me isentar da enorme e irrefutável responsabilidade que eu tenho sobre todas elas pois como gota do grande oceano que sou e mesmo sem entender o tempo para pausas eu sei que faço parte disso tudo e todos nós fazemos

talvez eu precise mesmo escrever alguma poesia para desenformar as coisas todas e servi-las ainda quentes em uma mesa linda e bem posta e preparada para receber os amigos e os amores e as vantagens e as graças e os presentes dos deuses e também todos os desafetos e pequenos sustos que espreitam há tanto tempo sem que eu tenha coragem de deixá-los entrar

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