A Rosa no Rosa

A sogra e os dois enteados da Rosa, um de 10 e outro de 13 anos, chegaram da Inglaterra. Ela morava junto com um inglês há pouco mais de um ano, o Ian, e ainda não conhecia o restante da família dele. Que consistia quase unicamente nesses dois enteados e na sogra, uma senhora ossuda e sardenta, de cabelo estranhamente armado.
Quando eles chegaram, a Rosa e o Ian já não andavam em uma fase muito boa. O inglês dela nunca havia chegado a ser essas coisas, e o português dele também não passava muito da terceira página. Assim a comunicação entre os dois tinha, na maioria das vezes, a profundidade de um pires e o alcance de um, digamos, celular da Oi na garagem do shopping. O sexo – que era o que realmente os unia – já estava dando ares de cansaço, ele andara se encantando com uma atriz de cabelos incrivelmente vermelhos, moça interessantíssima recém chegada a Porto Alegre, que já chegou dando a maior bola para o Ian, que era diretor de teatro e era alto, meio coroa e muito bonitão. Rosa era uma figura interessante, mas não segurava todas as petecas do mundo. Além do mais, ela era bem mais nova do que ele, seus vinte e poucos anos ainda não haviam ensinado nada que prestasse. E ela também andava um pouco em busca de alguma pitada de romantismo em qualquer lugar que fosse. Continuar lendo

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