O mainstream e a ironia

O mainstream diz assim: não há poesia sem dor, não há melodia sem amor, essas coisas. A felicidade, que chato, é careta. Coitada.

Alguém feliz e saltitante não serve para escrever soneto. Tem que haver a tristeza, tem que ter a tristeza, se é que você me entende.

(Mas isso são coisas que eles dizem. Eu prefiro a ideia da alegria gerando momentos de sinergia, instantes de harmonia – infinitos, crescentes, constantes. Eu sou do tipo que só escreve poema se estiver melancólica… mas que segue acreditando sempre nas musas inspiradoras. Essas aí da foto são do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, numa montagenzinha que fiz.)

Pois é, tem esta “escola” que diz que a dor (principalmente a de corno) é a melhor inspiração que existe. Ô. Ainda mais na hora de compor um samba-canção. E que hora sagrada, essa, a hora de compor um samba-canção…

Então a felicidade de amor, quem diria, não consegue conviver com a poesia.

Cá entre nós, isso tudo é uma grande ironia.