Ela

(que não sou eu)

Ela havia amanhecido

daquela mesma forma de sempre,

com o sono ainda por se satisfazer,

e ainda distante disso,

ela ainda e sempre cansada,

pensando em desistir de algo,

para ver se tornava a jornada mais leve.

Ela havia aberto os olhos

durante o escuro da madrugada,

e resolveu pensar em suas amizades,

a grande circunferência de amigos,

conhecidos, familiares e colegas

uma caralhada de gente que a envolvia

de forma absurdamente distante.

Ela havia desenhado na mente

os desapegos possíveis,

mas agora que amanheceu cansada

já havia esquecido de todos.

Ela preferiu ficar sozinha,

e acreditou, ainda por algum instante,

que havia feito a melhor escolha.