dozamores

existem amores que rompem barreiras

que fazem poemas

e que compram flores

amores macios como borboletas

amores que irrompem aos borbotões

 

existem amores que chegam quietinhos

que ficam brechando

e se esgueiram de leve

amores estranhos desses que merecem

um lado estranho da nossa atenção

 

existem amores que vão desmaiando

perdendo a força

ficando invisíveis

amores sensíveis que findam o ciclo

seguindo o caminho, andando,

enfim

 

 

 

 

sem título

impressionante o quanto eu deixo saporra desse blog às moscas. principalmente agora, que estamos vivendo uma verdadeira revolução no foicebook, onde brigamos a paus e pedras com inimigos virtuais vorazes e furiosos. é golpe, não é golpe. é estupro, não é estupro. é a língua portuguesa, não é, é algo meio similar, acho que… enfim.

acaba que eu abandono mesmo o tranquilo lago do meu blog divagarim e me jogo no meio do torvelinho de memes e frases feitas e repetições e links e fotos do temer assim, do temer assado, da mulher dele, do filho dele. as gravações! áudios e mais áudios, vídeos, links do youtube, mais frases feitas, citações, brigas, bate-bocas!

já vi todo modelo de marmota. já vi desenhista de estúdio gringo famoso ser despedido por que defendeu o político mais meleca do mundo – o que deixa a coisa toda bem picante e divertida – pelo menos. já vi o suplicy sendo fofo de várias formas diferentes. já vi o prefeito gato de são paulo passar um trote mega massa troll-tranquilão no cabra da rádia, aquele bem babaca (e essa foi a marmota das mais fodas, eu achei!). já vi (na verdade não vi, porque eu seleciono onde coloco a ponta dos meus dedos, caralho, e tem cliques que eu absolutamente não faço, e isso é inegociável) filme auto-encriminante de estupro coletivo! como diz uma amiga: “tu crê?”.

já vi de um tudo nessa interneta do capeta, meu filho. e vou te dizer uma coisa. blog já foi. é coisa do passado. blog é pra amadores, crianças, perdedores (brinks, eu adoro blog, mas a festa tá na janela ao lado, bebê, você vai ter que se convencer disso). e digo mais: na verdade blog é pra jornalista sério, ou pior, intelectuais! é pra gente que tem muita coisa pra dizer, é outro papo. o fato, meu amor, é que O MOMENTO NÃO TÁ PRA BLOG! o mar não tá pra peixe. essa porra toda tá fervendo, tá todo mundo doido, cada um em sua bolha de seus feeds no face, o samba tá sambando é NO FACEBOOK, é lá que a porra tá rolando, lá e nos tweets da galera cool, mas muito mais lá no feed do facebook, selecionado a bel prazer dos algoritmos do zukcinha –  aquele doce de rapaz.

pra tu ter uma ideia eu já larguei e voltei desse facebook umas 3 vezes. saio e digo NUNCA MAIS EU VOLTO e dá uns 2 dias e lá tô eu, clicando no globinho azul. agora, aqui, no blog, eu passo meses longe, daí variadas vezes volto e penso assim: vou postar mais, fazer tipo um diário, exercitar a escrita, etc etc etc. TUDO BABOSEIRA. faço um postinho merda tipo mea culpa e largo de novo, às moscas, o pobre do blog, perdido no lamaçal de uns e zeros da webosfera ensandecida… pode apostar, é exatamente o que vou fazer assim que clicar em publicar, aqui. já já.

caindo – de bêbada – em si

não vai ser fácil escrever o que vou escrever agora.

vou ter que admitir – e é melhor que o faça “publicamente” logo, pois é algo necessário – que tenho sérios problemas com o álcool. alcoolista? alcoólatra? não sei, nem vou me preocupar em dar o nome correto. o mais importante agora é que eu tome consciência de que beber não tem sido nada bom pra mim.

e não estou falando por causa das grandes ressacas, que estão tomando proporções cada vez mais assustadoras com o passar do tempo e o peso da idade. estou falando aqui é do próprio momento do beber, o socialmente, o drink com os amigos, a festinha inocente, a cervejinha aquela, as tacinhas de vinho, o espumante para brindar. a farra.

o problema é que não há freio. depois que começa, vai tudo ladeira abaixo sem hora para terminar. o que era pra ser uma noitada leve, com algumas taças para animar ou festejar, acaba sendo uma noitada de excessos, cujo final – ou mesmo miolo – se perde em uma nuvem de esquecimento.

amnésia alcoólica grave.

já fiz coisas que só soube depois porque me contaram. e tenho certeza de que fiz ou disse coisas que não me contaram, e dessas eu tenho muito medo de saber. grandes períodos de tempo que eu vivo sem saber o que estou vivendo. já pensou no tamanho deste absurdo? já imaginou a altura deste precipício?

tenho bons e variados exemplos de alcoólatras na família. dois tios e um pai. assim, esta facilidade em cortar caminho pelo atalho errado está aqui, no meu sangue, correndo pelas minhas veias.

depois de um (in)determinado número de copos chega aquele momento em que nada mais vai me segurar.

no início era engraçado: a pessoa que não quer ir embora, a pessoa engraçadinha, a pessoa que se solta, fica alegrinha, fala piadas, namora fácil, adora beijar na boca, paquera sem se encabular, fica mais criativa, mais inteligente, maneira, gaiata, simpática.

até que os dias seguintes começam a se tornar um amontoado de dúvidas, vergonhas, dores, espaços em branco, tetos-pretos, lacunas, mais vergonhas, ressacas morais, péssimas surpresas, irresponsabilidades, vazios. os dias seguintes começam a ter, eles mesmos, seus dias seguintes.

isso mesmo, não basta mais apenas um dia para curar o mal de uma noite apenas de bebedeira. a coisa começa mesmo a ficar séria.

então, o jeito é cair em si e admitir, em alto e bom som. por mais que seja difícil, porque eu gosto tanto delas, das bebidas. ah, eu adoro uma cerveja, um vinho, o espumante, a caipirinha… adoro! mas eu não posso mais beber álcool – e vou ter que parar, infelizmente. é o jeito.

eu vou ter que parar justamente porque quando começo não sei a hora de parar.

espero que os amigos compreendam.

de sonho e utopia, de prosa e poesia

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Ouvindo uma entrevista com o Ricardo Darín onde ele me chega todo lindo, divagando, divagarim, me veio um insight – um desses fulminantes – que me alertou veementemente da necessidade de expor minhas poucas – parcas e lindas – ideias sobre a vida e a morte, a política, as amizades, os relacionamentos, a preguiça (meu pecado preferido), a inveja (o meu pior dentre os pecados) e todos os sentimentos decorrentes disso tudo. O sentimento de inadequação, minha tíbia posição diante do que me desacata, do que me fere, do que me coloca de lado. A urgência em me expressar parece ter tomado conta dos últimos momentos da entrevista que ouvia, tanto que não me recordo das últimas palavras dele – e que voz maravilhosa, e que linda a língua castellana, sei lá se é isso, o espanhol, a porteñice, que delícia ouvir o som das palavras de Darín. A maturidade da voz dele, das ideias dele, das colocações dele. A maturidade é um dos meus temas recorrentes, um assunto tão próximo a mim e do qual tento sempre fugir, através de tentativas constantes e estúpidas de juventude, tentativas cheia dos erros de juventude, de excessos, de falta de limites. Uma busca de algo impossível, que me remete às utopias de Galeano, à solidão do próprio e já mencionado Darín. Enfim. Decidi que irei ler mais e escrever mais, e registrar sentimentos e sonhos em palavras, do jeito que for; que retomarei os roteiros iniciados; e iniciarei novos; e escreverei mais e mais. Enfim. Fica aqui o registro de um compromisso. Um compromisso de arte, de sonho e de utopia. Seja em leituras, envolvimentos, viagens, devaneios, divagações, roteiros, prosa ou poesia.

EXISTÊNCIA

tem uma coisa chamada

viver entre as duas pontas da existência

– na verdade não existe,

estou inventando isso agora –

que é o que estou vivendo

estou entre o ontem e o amanhã,

entre a filha e a mãe,

entre o amanhecer e o anoitecer

estou entre um leque amplo

de inúmeras possibilidades

estou entre as duas pontas

da existência e do que eu sou

Só lembrando mesmo

Eu tava aqui lembrando de um tempo atrás, quando ainda trabalhava em agência. Era uma época corrida, tínhamos muito trabalho, a agência estava em franco crescimento: havia duplicado de espaço físico e eu dirigia uma equipe de criação com, sei lá, 3 duplas. Uma ruma de marmanjo. Neste período, este que me lembrei agora, nossos chefes estavam viajando, talvez uma feira internacional na Europa, e eu meio que estava no comando. Em um só dia, vi vários portfolios, contratei um criativo – nossa equipe estava reduzida – chamei um designer para uma refação, apaguei um incêndio do atendimento, respondi uma ruma de perguntas de produção, reagendei uma ruma de reunião, fui em, sei lá, umas 2 ou 3, almocei sei lá com quem nem aonde, respondi uma ruma de e-mails… Em algumas destas cartadas eu acertei, em outras devo ter errado, é lógico! Tive que tomar decisões rápidas e necessárias, foi difícil e adrelinado. Mas também foi divertido, vou nem mentir. Sempre preferi ficar escrevendo frases, mas fui escalada a diretora de criação, e foi bom, apesar de tudo. Não estou citando nomes só pra cosmopolitar o textinho, só por isso mesmo, mas quem se reconhecer no relato, sinta-se em casa, fique à vontade, comente aí. Vale ressaltar que foi tri bom, todo esse tempo. Melhor ainda, passou.

Ela

(que não sou eu)

Ela havia amanhecido

daquela mesma forma de sempre,

com o sono ainda por se satisfazer,

e ainda distante disso,

ela ainda e sempre cansada,

pensando em desistir de algo,

para ver se tornava a jornada mais leve.

Ela havia aberto os olhos

durante o escuro da madrugada,

e resolveu pensar em suas amizades,

a grande circunferência de amigos,

conhecidos, familiares e colegas

uma caralhada de gente que a envolvia

de forma absurdamente distante.

Ela havia desenhado na mente

os desapegos possíveis,

mas agora que amanheceu cansada

já havia esquecido de todos.

Ela preferiu ficar sozinha,

e acreditou, ainda por algum instante,

que havia feito a melhor escolha.