arriba! arriba!

ontem isa e eu fizemos uma jantinha mexicana 😊 burricos comprados prontos (achei meia boca), molho com pimenta e guacamole delicia com doritos!

como estou fora do facebook vim compartilhar aqui, no meu blog que ninguém lê 😂

feliz ano novo meu povo

2016 terminando hoje. pense num anozinho que foi pesado. me roubaram o voto, me senti desamparada e impotente. levei golpe depois de golpe, eu e mais tantos brasileiros, uns conscientes, outros manipulados. tanta gente massa partiu, parece que foi uma revoada. foi mole não.

mas este post não é um post mimimi. li não sei onde e concordei que a gente deve sim tentar ficar bem feliz nesta festa e desejar feliz ano novo pra todo mundo e tal. porque gente triste não faz bem a ninguém, não presta pra nada; gente alegre é muito mais produtiva, e isso é uma coisa que nós todos estamos carecas de saber.

em 2016 busquei um curso de meditação e respiração, desses que tem até guru, e no meio de uma determinada aula, enquanto a nossa professora falava, uma coleguinha soltou a pérola: “e tu, toda petista, mas com um carro importado!” – sendo que eu havia dado carona pra coleguinha nas duas aulas anteriores. o mais irônico é que eu busquei este curso porque eu estava me irritando muito na internet, a burrice e a prepotência dos coxinhas pululando na minha timeline. fui descansar, tentar sossegar a mente e aprender a meditar, e me aparece logo essa anta, e gaúcha ainda por cima, parece que só pra me irritar ainda mais. nem pagando o curso ela estava, ela era tipo uma voluntária, sei lá. enfim. só sei que peguei um abuso de tudo a partir dela, e saí mais cedo na penúltima aula e não voltei pra aula de encerramento. porque eu sou dessas.

custo a me incomodar. sou incrivelmente adaptável e tenho tanta boa vontade com os outros que muitos custam a acreditar. mas ao mesmo tempo, se eu chegar a pegar um abuso da pessoa, aí se chegar a um determinado limite, se eu chegar a não gostar mais dessa pessoa, aí sinto muito, mas aí é pra sempre. tipo: sou rancorosa e guardo as mágoas. putaqueopareu é foda ter que admitir, mesmo porque eu acho uma grande burrice, a pessoa faz mal a si mesma e tal, mas eu sou assim. posso até “perdoar”, mas não quero mais ver, não quero mais ouvir falar, não me ligue nem esteja no meu grupinho do zapzap, não vou seguir essas pessoas nas redes socias, apenas não quero mais nem saber.

essa aí do grupo de meditação, coitada, não quero ver pela frente mas nem pintada com as cores de krishna.

e teve o senhor aquele, no centro espírita. sim, em 2016 voltei a frequentar (se pode-se chamar de “frequentar” ir umas 3 ou 4 vezes, alternadas) um centro espírita. um lugar muito lindo e meigo, adorei, me senti tão bem ali. fui em busca de tomar passe, acho que iria curtir assistir a umas palestras, mas o esquema lá não era bem assim. era pra sentar com algumas pessoas e conversar sobre o evangelho. de jesus. e eu não tenho a menor paciência com bíblia e com jesus e com esse papo de evangelho. eu queria ali era ouvir sobre o espiritismo, ou sei lá, o que eu queria mesmo era tomar um passe. o passe lá era só no finalzinho de tudo, e era em conjunto. e me sugeriram que eu rezasse o pai nosso. affff. eu não gosto dessa reza! aí o que eu fazia? ho’ponoponava, ora, lógico.

me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata. me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata. me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata.

aí numa daquelas reuniões onde a gente lia um capitulo lá do evangelho, não sei qual era o tema que tratávamos, aquele senhor (a quem eu admirava, pela ponderação, pela sabedoria…) começa uma historinha assim: “conheci um senhor que era muito caridoso, apesar de ser ateu…”

eu já fiquei cabreira. o que eu mais gosto do espiritismo é o fato dele não ser uma religião. curto por se tratar de uma doutrina, um estudo, de elementos que me parecem coerentes, que pra mim soam com naturalidade… uma ciência espiritual acerca da natureza, enfim.

eu interpelei, no final da fala dele, dizendo que pra mim não fazia sentido aquela palavra “apesar”. porque vejo muito mais pessoas religiosas fazendo merda do que os ateus. e vejo muito mais ateus fazendo coisas lindas do que os religiosos. ele até que se safou em palavras meio constrangidas, mas ali rompeu-se o encanto de mais uma das minhas tentativas de busca espiritual em 2016.

voltei a minha terapia em 2016. andei precisando ouvir as coisas lindas que meu terapeuta fala, ou mesmo de ouvir o que seja, o tom da voz dele sempre me acalmava… Não durou muito, porque eu acabei saindo, eu faço sempre isso, eu interrompo as coisas.

e também a porra do ano veio se passando, esse tal de 2016, e veio se passando como um trator, atropelando tudo. e eu fui querendo me manter irritada, em riste, precisando me sentir em guerra contra as baixarias todas que vieram. não foi nada fácil estar atenta às notícias de política em 2016. mas eu já não queria mais me acalmar.

desencontros de pessoas, tristeza de ver amigos tão desconectados dos demais seres humanos, a banalização da vida, o fim da diversidade, direitos humanos virou mimimi, a esquerda e a direita mostraram as caras de uma forma tão visceral. não foi fácil mesmo.

comprei brigas, ganhei desilusões aos montes. mas eu precisava sempre me manifestar. nunca antes me senti tão fortemente ligada com as questões sociais, com a política. e que merdas fizeram ao nosso país durante 2016. quanta merda fizeram com o nosso país! e que merda ver que estamos todos amortecidos, muitos até cansados, estamos todos inativos, passivos, passados!

foda é saber que a decorrência da merda feita em 2016 vai rolar mesmo é em 2017. e é justamente por isso que é tão difícil pra mim chegar e dizer assim, na lata: feliz 2017! putaqueopareu, é difícil pra caralho, mas é preciso que se diga! porque gente triste, e gente sem esperança, e gente pesadona, não consegue nada, não movimenta porra nenhuma, não anda pra frente, só fica empacada. e deus me livre disso.

bom, tudo isso era pra dizer: feliz 2017, negrada.

Nem tudo reluz

O que se pode fazer ou desfazer,

se o tempo parece estar

zombando, quando passa assim

depressa, desse jeito quase voando,

trazendo mais meios tons e dúvidas

de auroras do que maturidade?

E o que se pode pensar

ao se sentir sem convite

para as multicores revistas,

ao se chegar tarde nos guichês

de passagens, ao perder de vista

as portas e janelas, os portões

amarelos-ouro, aqueles, sempre

fechados em tom de desencontro?

O que se pode fazer se não

buscar-se logo a cor da lágrima,

e fingir-se que se lava a alma,

e correr no quase desespero

demonstrando um verde-claro estado

– tão falso quanto escuro musgo! –

de tepidez e de calma?

O que se pode jogar, quando

se passa a desconhecer o verde pano

de feltro, as cores das novas cartas,

os novos ases de copas, os amarelos-ouro

das portas, o azul distante e discreto

do novo a que não pertencemos?

O que será que devemos?
(agosto/1999) 

a gente: douglas e eu

 

conheci o douglas na época do pré-vestibular, eu acho. a gente frequentava as mesmas festinhas e tal. ele é um cara engraçado, e faz amizade rápido, a gente logo percebe a gaiatice dele e se diverte com isso.

tem muita gente que implica com o douglas, tem uns que acham ele chato, preguiçoso. tem uns que falam que ele é má companhia. mas são uns caretas, isso sim. eu acho que o douglas tem um charme bacana, bem underground, mas nem por isso precisaria ser patrulhado por esta gente quadrada.

a gente, douglas e eu, nós fomos ficando muito chegados. tipo o pensamento de um ser o pensamento do outro, sabe? a gente se entendia de um jeito muito louco, nem precisava falar e ao mesmo tempo a gente ficava tão eloquente, entende? acho que a gente meio que se amava mesmo.

quando eu conto tem gente que não acredita, mas na época do vestibular, eu ia para o lado das exatas, e o douglas para o lado das humanas. mesmo assim ele me acompanhava até onde era minha prova, e depois ia calmamente para o local da prova dele. ambos passamos fácil no vestibular. eu para engenharia química e matemática, ele para artes dramáticas e literatura.

a gente, douglas e eu, fomos nos apaixonando. e quando a gente transava, era como se virássemos puro elemento, fogo e ar, terra e água, sei lá. era uma coisa muito completa, éramos dois bichos e ao mesmo tempo duas crianças. descobrimos áreas em nossos corpos e em nossas mentes, áreas nunca antes navegadas. ficamos como que dependentes um do outro, douglas e eu.

o tempo passou, e nisso ninguém consegue interferir, o tempo passa mesmo, e minha relação com o douglas também foi mudando. o fato é que não conseguíamos ficar muito tempo um longe do outro, porque nem um nem outro queria isto de fato. morávamos juntos em uns períodos, morávamos separados em outros. construímos juntos uma relação de amizade e amor, de respeito mútuo, cada um percebendo a importância do espaço do outro. crê?

o douglas apronta, sabia? às vezes some, ninguém tem notícia, desaparece. ele é festeiro, adora a boemia, fica na farra até tarde, bebe todas, fuma que é um caipora. aí depois de um tempo reaparece, na maior cara de pau, rindo à toa. mas eu o perdoo sempre, sabia? a gente, douglas e eu, somos mesmo uns enrolados.

 

dramaturgando

eu sei começar a escrever uma peça.

a gente comeca com uma frase,

depois parte pra um argumento,

depois se quiser (pra facilitar) faz uma escaleta,

como para um roteiro de cinema.

pode também partir de um conto,

mas atente sempre para o conflito.

é mais ou menos aí que eu paraliso,

é na hora do vamos ver que eu entro em crise.

então, assim, era como eu dizia:

eu sei começar a escrever uma peça.

mas seguir adiante e terminá-la

aí, meu filho, já são outros trocentos.

dozamores

existem amores que rompem barreiras

que fazem poemas

e que compram flores

amores macios como borboletas

amores que irrompem aos borbotões

 

existem amores que chegam quietinhos

que ficam brechando

e se esgueiram de leve

amores estranhos desses que merecem

um lado estranho da nossa atenção

 

existem amores que vão desmaiando

perdendo a força

ficando invisíveis

amores sensíveis que findam o ciclo

seguindo o caminho, andando,

enfim

 

 

 

 

sem título

impressionante o quanto eu deixo saporra desse blog às moscas. principalmente agora, que estamos vivendo uma verdadeira revolução no foicebook, onde brigamos a paus e pedras com inimigos virtuais vorazes e furiosos. é golpe, não é golpe. é estupro, não é estupro. é a língua portuguesa, não é, é algo meio similar, acho que… enfim.

acaba que eu abandono mesmo o tranquilo lago do meu blog divagarim e me jogo no meio do torvelinho de memes e frases feitas e repetições e links e fotos do temer assim, do temer assado, da mulher dele, do filho dele. as gravações! áudios e mais áudios, vídeos, links do youtube, mais frases feitas, citações, brigas, bate-bocas!

já vi todo modelo de marmota. já vi desenhista de estúdio gringo famoso ser despedido por que defendeu o político mais meleca do mundo – o que deixa a coisa toda bem picante e divertida – pelo menos. já vi o suplicy sendo fofo de várias formas diferentes. já vi o prefeito gato de são paulo passar um trote mega massa troll-tranquilão no cabra da rádia, aquele bem babaca (e essa foi a marmota das mais fodas, eu achei!). já vi (na verdade não vi, porque eu seleciono onde coloco a ponta dos meus dedos, caralho, e tem cliques que eu absolutamente não faço, e isso é inegociável) filme auto-encriminante de estupro coletivo! como diz uma amiga: “tu crê?”.

já vi de um tudo nessa interneta do capeta, meu filho. e vou te dizer uma coisa. blog já foi. é coisa do passado. blog é pra amadores, crianças, perdedores (brinks, eu adoro blog, mas a festa tá na janela ao lado, bebê, você vai ter que se convencer disso). e digo mais: na verdade blog é pra jornalista sério, ou pior, intelectuais! é pra gente que tem muita coisa pra dizer, é outro papo. o fato, meu amor, é que O MOMENTO NÃO TÁ PRA BLOG! o mar não tá pra peixe. essa porra toda tá fervendo, tá todo mundo doido, cada um em sua bolha de seus feeds no face, o samba tá sambando é NO FACEBOOK, é lá que a porra tá rolando, lá e nos tweets da galera cool, mas muito mais lá no feed do facebook, selecionado a bel prazer dos algoritmos do zukcinha –  aquele doce de rapaz.

pra tu ter uma ideia eu já larguei e voltei desse facebook umas 3 vezes. saio e digo NUNCA MAIS EU VOLTO e dá uns 2 dias e lá tô eu, clicando no globinho azul. agora, aqui, no blog, eu passo meses longe, daí variadas vezes volto e penso assim: vou postar mais, fazer tipo um diário, exercitar a escrita, etc etc etc. TUDO BABOSEIRA. faço um postinho merda tipo mea culpa e largo de novo, às moscas, o pobre do blog, perdido no lamaçal de uns e zeros da webosfera ensandecida… pode apostar, é exatamente o que vou fazer assim que clicar em publicar, aqui. já já.