Em reunião

Reuniões. Deu vontade de falar sobre. Tem as reuniões semanais, de planejamento e estratégia, com toda equipe. Tem aquelas mortais, diárias, de pauta, com atendimento e criação. E tem as pontuais, sobre projetos específicos, com os departamentos envolvidos.

Digamos que vou falar aqui sobre uma destas últimas. Com o pessoal da criação, o atendimento da conta, mais o povo da mídia e do planejamento. Faz de conta que é sobre o lançamento de um produto novo, do cliente X. Não, X não: Xis – pra não ficar assim, só uma letra, impessoal demais. Não, Xis não: Cheese – pra não ficar assim, insosso, sem charme ou personalidade.

Viu só? É só falar sobre reunião que já começo a tergiversar.

Não tem jeito. Tudo o que você sequer pensou em contar pra alguém você vai querer contar na reunião. Porque é fora da pauta. As pessoas amam falar sobre coisas que não tem nada a ver com o papo da reunião numa reunião. É natural do ser humano. É mais forte do que a gente.

(Parêntesis: uma das coisas que me fez curtir muito estar em agência é que mesmo um bosta qualquer lá dentro tem o prazer de ouvir uma secretária ou telefonista falar sobre ele: “o Fulano não pode atender agora, ele está em reunião”. Cara, isso é muito show! Se você for um bosta qualquer, claro… Por outro lado, uma das coisas que me fez querer sair de agência foram, sem dúvida, elas, as reuniões infrutíferas e intermináveis. Ah, sim, me desculpe a redundância.)

Tá certo, tá certo. Nas reuniões muita coisa legal também aparece, o tal do brain storm funciona (de vez em quando) e algumas soluções coletivas conseguem, sim, ser mais criativas e diferenciadas do que uma solução solitária de uma mente sem lembranças. Mas eu simplesmente abomino a ideia de “criar em conjunto”. Pode-se traçar o briefing, ideias gerais e uma meta em conjunto, mas o processo criativo é solitário e egoista – só não precisa ser mesquinho.

Nunca tive problemas em desenvolver campanhas cuja ideia inicial foi de outra pessoa. Sempre dei (ou melhor dizendo, a la Bruna surfistinha, “distribui” fartamente) os créditos da criatividade a quem quer que fosse – da equipe ou fora dela. Por outro lado, sempre tive problemas de ver pessoas apresentarem como suas ideias minhas. Já vivi muita cara de pau nesses quase 25 anos de carreira. Situações em que dava uma coceira no instinto assassino. E que fatalmente (ups) nasciam em uma… reunião.

O fato é que parei de dar ideias criativas de campanha em reuniões. Passei a ter uma atitude de organizadora das ideias alheias, pastora da pauta, missionária do horário de finalizar a bendita reunião… me transformei numa chata. Uma chata utilíssima, diga-se de passagem. Minha presença é transformadora em reuniões: eu faço de tudo para que elas tenham uma utilidade real, é questão de vida ou morte para mim.

Tem sempre a figura agarrada no celular, que volta e meia sai da sala sussurando para o aparelho e implorando benevolência com o olhar para todos ao redor da mesa. Tem aquela figura importantíssima que fica só se servindo de água e café, olhando fixamente com jeitão de zumbi para quem está com a palavra. Tem aquele que fala olhando apenas para você, só você, mais ninguém, como se só estivessem vocês dois na sala, e isso é terrivelmente embaraçoso. Tem aquela que fica tomando notas (sabe-se lá o que ela anota ali) e observando a todos com desdém. Tem a que faz uma ata da reunião, tipo secretária mesmo (na falta do que fazer eu já ocupei este papel – necessidade germânica de me sentir útil). Tem o que interrompe todos, sempre, a toda hora. Tem a que tenta pegar a palavra e desiste na segunda palavra. Tem o bom de papo, que fala maravilhosamente bem, encanta a todos mas não diz nada que realmente se aproveite. Tem a que sempre chega muito atrasada, pede desculpas e muda totalmente o rumo (do incerto para o duvidoso) da reunião. Geralmente essa é a pessoa responsável pela pauta.

(Se eu por acaso estiver rabiscando setinhas ou quadradinhos ou desenhando pequenas mandalas durante uma reunião, pode me mandar embora; me despeça mesmo, me descontrate rápido. É sinal que eu não sei nem quero saber nada sobre o assunto. Ou, então, peça desculpas por ter me convidado para uma reunião que não tem absolutamente nada a ver com minha pessoa. Tipo uma reunião sobre as questões de financiamento da compra da nova sede do cliente Cheese, entende?)

A ideia deste texto (a minha pauta mental) era criar uns diálogos bem divertidos de uma reunião imaginária sobre o lançamento do novo produto do cliente imaginário Cheese. Mas desisti no caminho. Fugi da pauta. Marcamos, então, você e eu, um próximo post, e então eu faço isso, certo? Fica marcado, então. Agendado.

E toda essa marmota aqui fica valendo como “prova viva” do que efetivamente acontece numa reunião: a marcação da próxima. Peguei pesado?

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Como enlouquecer um redator publicitário

Na cola do famoso texto que circulou pra caramba pela web, o “como enlouquecer um designer” (de Ghislain Roy), resolvi fazer a versão redator publicitário. Se é que ainda não foi feito, o que acho dificil. Mas, seja como for, deu vontade. Então, lá vai.

Trabalho inútil

Antes mesmo de apresentar ao cliente, diga ao redator publicitário que ele deve diminuir ainda mais o texto do anúncio, porque os leitores de jornais e revistas simplesmente não leem. E, se ele der uma resposta maleducada do tipo “então, pra que texto?”, responda que é para compor melhor o layout. Para terminar o papo, coloque seu iPod e saia da sala ouvindo Zezé de Camargo e Luciano.

Título triturado

Sente-se ao lado do redator e do diretor de arte, diante do computador, e vá tirando do título do anúncio todos os charmes que o redator colocou para deixá-lo coloquial e personalizado. Até chegar a algo simples e direto, sem sal, sem diferencial, sem porra nenhuma. Daí peça para o redator fazer um novo título, pois o cliente quer algo coloquial e personalizado.

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