doing

Resolvi chamar assim a minha nova filosofia de vida.

Primeiro o que me veio à mente foi a ação em si, bem antes que o verbo, mesmo porque a ação é a base da ‘minha’ filosofia. Daí veio o verbo no gerúndio: fazendo. Mudei para o doing só porque estou estudando inglês e adoro onomatopéias: a bola quica poing poing.

Tudo começou com uma ou outra frase que curti no livro de auto-ajuda-fofa-e-cultzinha que estou lendo: Budismo na mesa do bar (Lodro Rinzler).

Especial atenção à técnica de meditacão que ele ensina, algo como domar o pensamento errante dizendo assim pra ele: pensando.

Quero muito aprender a meditar, mas por enquanto estou achando muito difícil fazer o simples ato de ficar sentada, ali parada, meditando.

Então resolvi inventar a meditação em movimento.

Ao invés de controlar a enxurrada de pensamentos dizendo a mim mesma: “pensando”, vou controlar a enxurrada de ações sem rumo dizendo a mim mesma: “fazendo”.

Primeiro, vou praticar este “ato constante de estar presente”. Depois, quando eu me sentir uma pessoa um pouco mais centrada, começo a praticar a meditação parada, aquela do “continue sentado e meditando”.

Este é o capítulo inicial do meu método “doing”. Seja bem vindo – e agora volte ao que estava fazendo.

 

Assim será

Me arriscarei a tentar. Um conto por semana. Em um ano, algo como 48 contos. Hoje é dia 11 de janeiro, então já estou em dívida de um conto escrito e acabado e outro a ter sido iniciado. O ano começou em uma quarta-feira, e hoje é domingo. Para mim, as semanas serão, então, contadas de quarta-feira em quarta-feira, até a derradeira de 2014. Assim. Então, na próxima quarta-feira, dia 15, deverei ter 2 contos inteiros, escritos e acabados. Assim haverá de ser.

-.-.-.-.-

update em 7/2/14: tô devendo uma ruma de conto. to mais é lascada! :p

O mainstream e a ironia

O mainstream diz assim: não há poesia sem dor, não há melodia sem amor, essas coisas. A felicidade, que chato, é careta. Coitada.

Alguém feliz e saltitante não serve para escrever soneto. Tem que haver a tristeza, tem que ter a tristeza, se é que você me entende.

(Mas isso são coisas que eles dizem. Eu prefiro a ideia da alegria gerando momentos de sinergia, instantes de harmonia – infinitos, crescentes, constantes. Eu sou do tipo que só escreve poema se estiver melancólica… mas que segue acreditando sempre nas musas inspiradoras. Essas aí da foto são do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, numa montagenzinha que fiz.)

Pois é, tem esta “escola” que diz que a dor (principalmente a de corno) é a melhor inspiração que existe. Ô. Ainda mais na hora de compor um samba-canção. E que hora sagrada, essa, a hora de compor um samba-canção…

Então a felicidade de amor, quem diria, não consegue conviver com a poesia.

Cá entre nós, isso tudo é uma grande ironia.

Ainda não vi, mas falta pouco…

A jovem senhora inglesa, em visita à bela cidade do Rio de Janeiro, chega na Confeitaria Colombo e pede, segurando meio insegura um livrinho de inglês-português para turistas: “Por favor, eu gostaria de… EU QUERO UM TCHÁ”. Ao que o garçom, rápido e trepidante como um raio, responde: “e EU QUERO UM TCHUM”. E todos os clientes da confeitaria, em uníssino, complementam, sacodindo faceiros os bracinhos para um lado e para o outro: “EU QUERO UM TCHUM, TCHÁ, TCHÁ, TCHUM…”.
#Fim #TheEnd #ShortHistory #BrazilBizarro

Offline, arram.

Deu pra perceber que preciso ficar um pouco offline. Preciso me preparar psicologicamente para este momento duro e inexorável da vida fuera de las redes sociales. A mudança é drástica, e não pode ser assim, de uma hora para outra. Pode ser perigoso. Será penoso. Será se consigo? Porque é algo que preciso fazer, fato! O mundo ao meu redor está mandando sinais bastante claros.

1) Tudo o que faço ou falo eu fico pensando se é compartilhável ou não.

2) Ser retuitada me dá um prazer maior ou igual a… deixa pra lá.

3) Tenho pensado em 140 caracteres, algumas vezes com algum link.

4) Em vez de pensar “verdade”, eu penso “vdd”.

5) Tento ampliar com os dedos a imagem das revistas que leio.

6) Sério que tem gente que usa o celular pra falar com outras pessoas?

7) Pode fazer check-in em peças diferentes aqui de casa?

8) Instagramar é o verbo mais fotografado em minha instagramática pessoal.

9) Sinto um ódio realmente profundo de quem não me segue no Twitter.

10) Fazer economia, pra mim, é juntar moedinhas no Drawsomething.

11) Antes de dormir dou boa noite pra filha, pro marido e pro iPad.

12) À medida que vou #falando, vou colocando #tags imaginárias nas #palavras #chave.

13) Sou amiga do Eduardo Saverin no Facebook. Me considero AMIGA dele.

14) Tem mais, tem mais… Vou adicionando, CERTEZA. Mesmo pq não pretendo parar justo no 13. Né?

Noites quentes

Andei achando que tava com a vida ganha. Que nunca mais sentiria azia ou a droga do refluxo. Quá quá quá. Na noite passada me lasquei de tal forma que fiquei acordada, sentada, das 2 às 5 da manhã, sem conseguir dormir com a queimação horrível no estômago e na garganta. Juro que senti, quando estava deitada, uma onda de lava vulcânica indo pra lá e pra cá dentro do meu buchão. Confesso que caguei o pau no jantar (estou num resort em Presidente Prudente) e tomei chopp e comi salaminho, queijos, depois tomei vinho e comi uma massa… Resultado: uma noite de lava vulcânica. Sentada. Insone. Furiosa. Minha opção foi ficar na sala do chalé, matando o tempo na Internet, claro, onde mais? Daí que encontrei um blog sobre esofagite, dum cara fofésimo, e cujo último (mais recente) post começa desse exato jeito que comecei meu post aqui. Exatamente as duas primeiras frases, ali, antes da risada do pato. Pois é. Pena que ele, o Moa, o cara do blog, nao anda escrevendo mais. Cara, eu adorei o Moa! Assinei o RSS do blog, mas aquele ultimo post era de 2009. Algo me diz que o Moa desistiu de compartilhar suas aventuras e desventuras estomacais. Peninha. Tentei achar o email dele mas nao achei, quero ser amiga dele no Facebook, quero ele no meu msn, quero bater papos com ele sobre Pantoprazol e Motilium, sobre cervejolas e taças de vinho não bebidas, sobre arrotos esquisitos, sobre jantar cedo – no seco – e dormir com fome se achando altamente injustiçado… Impressionante como é bom encontrar alguém numa merda similar à nossa, credo! Moa, estou aqui humildemente te citando e linkando teu blog, no claro intuito de te arrastar para a minha vida. Amei o fato de você ser aquariano como eu e – impressionante – ter disciplina! Minha resolução-base para 2012 é saúde e disciplina. Pretendo escrever muito e não mais farrear (entenda-se beber, fumar, beber, fumar, beber, fumar). Adeus, noites quentes, de queimaçao de filme e de estômago. Ai, ai, Jisuis. Ah, sim, só pra registro: não fumo há mais de duas semanas e a última grande farra (digo última mesmo, do verbo não acontecerá jamais) foi no casamento do Gigante. Agora meu nome é dieta, caminhadas, natação, leituras, escritas, artesanato, jardim… Ok, serei uma chata. Mas uma chata que dorme à noite. 
 
 

Em reunião

Reuniões. Deu vontade de falar sobre. Tem as reuniões semanais, de planejamento e estratégia, com toda equipe. Tem aquelas mortais, diárias, de pauta, com atendimento e criação. E tem as pontuais, sobre projetos específicos, com os departamentos envolvidos.

Digamos que vou falar aqui sobre uma destas últimas. Com o pessoal da criação, o atendimento da conta, mais o povo da mídia e do planejamento. Faz de conta que é sobre o lançamento de um produto novo, do cliente X. Não, X não: Xis – pra não ficar assim, só uma letra, impessoal demais. Não, Xis não: Cheese – pra não ficar assim, insosso, sem charme ou personalidade.

Viu só? É só falar sobre reunião que já começo a tergiversar.

Não tem jeito. Tudo o que você sequer pensou em contar pra alguém você vai querer contar na reunião. Porque é fora da pauta. As pessoas amam falar sobre coisas que não tem nada a ver com o papo da reunião numa reunião. É natural do ser humano. É mais forte do que a gente.

(Parêntesis: uma das coisas que me fez curtir muito estar em agência é que mesmo um bosta qualquer lá dentro tem o prazer de ouvir uma secretária ou telefonista falar sobre ele: “o Fulano não pode atender agora, ele está em reunião”. Cara, isso é muito show! Se você for um bosta qualquer, claro… Por outro lado, uma das coisas que me fez querer sair de agência foram, sem dúvida, elas, as reuniões infrutíferas e intermináveis. Ah, sim, me desculpe a redundância.)

Tá certo, tá certo. Nas reuniões muita coisa legal também aparece, o tal do brain storm funciona (de vez em quando) e algumas soluções coletivas conseguem, sim, ser mais criativas e diferenciadas do que uma solução solitária de uma mente sem lembranças. Mas eu simplesmente abomino a ideia de “criar em conjunto”. Pode-se traçar o briefing, ideias gerais e uma meta em conjunto, mas o processo criativo é solitário e egoista – só não precisa ser mesquinho.

Nunca tive problemas em desenvolver campanhas cuja ideia inicial foi de outra pessoa. Sempre dei (ou melhor dizendo, a la Bruna surfistinha, “distribui” fartamente) os créditos da criatividade a quem quer que fosse – da equipe ou fora dela. Por outro lado, sempre tive problemas de ver pessoas apresentarem como suas ideias minhas. Já vivi muita cara de pau nesses quase 25 anos de carreira. Situações em que dava uma coceira no instinto assassino. E que fatalmente (ups) nasciam em uma… reunião.

O fato é que parei de dar ideias criativas de campanha em reuniões. Passei a ter uma atitude de organizadora das ideias alheias, pastora da pauta, missionária do horário de finalizar a bendita reunião… me transformei numa chata. Uma chata utilíssima, diga-se de passagem. Minha presença é transformadora em reuniões: eu faço de tudo para que elas tenham uma utilidade real, é questão de vida ou morte para mim.

Tem sempre a figura agarrada no celular, que volta e meia sai da sala sussurando para o aparelho e implorando benevolência com o olhar para todos ao redor da mesa. Tem aquela figura importantíssima que fica só se servindo de água e café, olhando fixamente com jeitão de zumbi para quem está com a palavra. Tem aquele que fala olhando apenas para você, só você, mais ninguém, como se só estivessem vocês dois na sala, e isso é terrivelmente embaraçoso. Tem aquela que fica tomando notas (sabe-se lá o que ela anota ali) e observando a todos com desdém. Tem a que faz uma ata da reunião, tipo secretária mesmo (na falta do que fazer eu já ocupei este papel – necessidade germânica de me sentir útil). Tem o que interrompe todos, sempre, a toda hora. Tem a que tenta pegar a palavra e desiste na segunda palavra. Tem o bom de papo, que fala maravilhosamente bem, encanta a todos mas não diz nada que realmente se aproveite. Tem a que sempre chega muito atrasada, pede desculpas e muda totalmente o rumo (do incerto para o duvidoso) da reunião. Geralmente essa é a pessoa responsável pela pauta.

(Se eu por acaso estiver rabiscando setinhas ou quadradinhos ou desenhando pequenas mandalas durante uma reunião, pode me mandar embora; me despeça mesmo, me descontrate rápido. É sinal que eu não sei nem quero saber nada sobre o assunto. Ou, então, peça desculpas por ter me convidado para uma reunião que não tem absolutamente nada a ver com minha pessoa. Tipo uma reunião sobre as questões de financiamento da compra da nova sede do cliente Cheese, entende?)

A ideia deste texto (a minha pauta mental) era criar uns diálogos bem divertidos de uma reunião imaginária sobre o lançamento do novo produto do cliente imaginário Cheese. Mas desisti no caminho. Fugi da pauta. Marcamos, então, você e eu, um próximo post, e então eu faço isso, certo? Fica marcado, então. Agendado.

E toda essa marmota aqui fica valendo como “prova viva” do que efetivamente acontece numa reunião: a marcação da próxima. Peguei pesado?