feliz ano novo meu povo

2016 terminando hoje. pense num anozinho que foi pesado. me roubaram o voto, me senti desamparada e impotente. levei golpe depois de golpe, eu e mais tantos brasileiros, uns conscientes, outros manipulados. tanta gente massa partiu, parece que foi uma revoada. foi mole não.

mas este post não é um post mimimi. li não sei onde e concordei que a gente deve sim tentar ficar bem feliz nesta festa e desejar feliz ano novo pra todo mundo e tal. porque gente triste não faz bem a ninguém, não presta pra nada; gente alegre é muito mais produtiva, e isso é uma coisa que nós todos estamos carecas de saber.

em 2016 busquei um curso de meditação e respiração, desses que tem até guru, e no meio de uma determinada aula, enquanto a nossa professora falava, uma coleguinha soltou a pérola: “e tu, toda petista, mas com um carro importado!” – sendo que eu havia dado carona pra coleguinha nas duas aulas anteriores. o mais irônico é que eu busquei este curso porque eu estava me irritando muito na internet, a burrice e a prepotência dos coxinhas pululando na minha timeline. fui descansar, tentar sossegar a mente e aprender a meditar, e me aparece logo essa anta, e gaúcha ainda por cima, parece que só pra me irritar ainda mais. nem pagando o curso ela estava, ela era tipo uma voluntária, sei lá. enfim. só sei que peguei um abuso de tudo a partir dela, e saí mais cedo na penúltima aula e não voltei pra aula de encerramento. porque eu sou dessas.

custo a me incomodar. sou incrivelmente adaptável e tenho tanta boa vontade com os outros que muitos custam a acreditar. mas ao mesmo tempo, se eu chegar a pegar um abuso da pessoa, aí se chegar a um determinado limite, se eu chegar a não gostar mais dessa pessoa, aí sinto muito, mas aí é pra sempre. tipo: sou rancorosa e guardo as mágoas. putaqueopareu é foda ter que admitir, mesmo porque eu acho uma grande burrice, a pessoa faz mal a si mesma e tal, mas eu sou assim. posso até “perdoar”, mas não quero mais ver, não quero mais ouvir falar, não me ligue nem esteja no meu grupinho do zapzap, não vou seguir essas pessoas nas redes socias, apenas não quero mais nem saber.

essa aí do grupo de meditação, coitada, não quero ver pela frente mas nem pintada com as cores de krishna.

e teve o senhor aquele, no centro espírita. sim, em 2016 voltei a frequentar (se pode-se chamar de “frequentar” ir umas 3 ou 4 vezes, alternadas) um centro espírita. um lugar muito lindo e meigo, adorei, me senti tão bem ali. fui em busca de tomar passe, acho que iria curtir assistir a umas palestras, mas o esquema lá não era bem assim. era pra sentar com algumas pessoas e conversar sobre o evangelho. de jesus. e eu não tenho a menor paciência com bíblia e com jesus e com esse papo de evangelho. eu queria ali era ouvir sobre o espiritismo, ou sei lá, o que eu queria mesmo era tomar um passe. o passe lá era só no finalzinho de tudo, e era em conjunto. e me sugeriram que eu rezasse o pai nosso. affff. eu não gosto dessa reza! aí o que eu fazia? ho’ponoponava, ora, lógico.

me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata. me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata. me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata.

aí numa daquelas reuniões onde a gente lia um capitulo lá do evangelho, não sei qual era o tema que tratávamos, aquele senhor (a quem eu admirava, pela ponderação, pela sabedoria…) começa uma historinha assim: “conheci um senhor que era muito caridoso, apesar de ser ateu…”

eu já fiquei cabreira. o que eu mais gosto do espiritismo é o fato dele não ser uma religião. curto por se tratar de uma doutrina, um estudo, de elementos que me parecem coerentes, que pra mim soam com naturalidade… uma ciência espiritual acerca da natureza, enfim.

eu interpelei, no final da fala dele, dizendo que pra mim não fazia sentido aquela palavra “apesar”. porque vejo muito mais pessoas religiosas fazendo merda do que os ateus. e vejo muito mais ateus fazendo coisas lindas do que os religiosos. ele até que se safou em palavras meio constrangidas, mas ali rompeu-se o encanto de mais uma das minhas tentativas de busca espiritual em 2016.

voltei a minha terapia em 2016. andei precisando ouvir as coisas lindas que meu terapeuta fala, ou mesmo de ouvir o que seja, o tom da voz dele sempre me acalmava… Não durou muito, porque eu acabei saindo, eu faço sempre isso, eu interrompo as coisas.

e também a porra do ano veio se passando, esse tal de 2016, e veio se passando como um trator, atropelando tudo. e eu fui querendo me manter irritada, em riste, precisando me sentir em guerra contra as baixarias todas que vieram. não foi nada fácil estar atenta às notícias de política em 2016. mas eu já não queria mais me acalmar.

desencontros de pessoas, tristeza de ver amigos tão desconectados dos demais seres humanos, a banalização da vida, o fim da diversidade, direitos humanos virou mimimi, a esquerda e a direita mostraram as caras de uma forma tão visceral. não foi fácil mesmo.

comprei brigas, ganhei desilusões aos montes. mas eu precisava sempre me manifestar. nunca antes me senti tão fortemente ligada com as questões sociais, com a política. e que merdas fizeram ao nosso país durante 2016. quanta merda fizeram com o nosso país! e que merda ver que estamos todos amortecidos, muitos até cansados, estamos todos inativos, passivos, passados!

foda é saber que a decorrência da merda feita em 2016 vai rolar mesmo é em 2017. e é justamente por isso que é tão difícil pra mim chegar e dizer assim, na lata: feliz 2017! putaqueopareu, é difícil pra caralho, mas é preciso que se diga! porque gente triste, e gente sem esperança, e gente pesadona, não consegue nada, não movimenta porra nenhuma, não anda pra frente, só fica empacada. e deus me livre disso.

bom, tudo isso era pra dizer: feliz 2017, negrada.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s