Nem tudo reluz

O que se pode fazer ou desfazer,

se o tempo parece estar

zombando, quando passa assim

depressa, desse jeito quase voando,

trazendo mais meios tons e dúvidas

de auroras do que maturidade?

E o que se pode pensar

ao se sentir sem convite

para as multicores revistas,

ao se chegar tarde nos guichês

de passagens, ao perder de vista

as portas e janelas, os portões

amarelos-ouro, aqueles, sempre

fechados em tom de desencontro?

O que se pode fazer se não

buscar-se logo a cor da lágrima,

e fingir-se que se lava a alma,

e correr no quase desespero

demonstrando um verde-claro estado

– tão falso quanto escuro musgo! –

de tepidez e de calma?

O que se pode jogar, quando

se passa a desconhecer o verde pano

de feltro, as cores das novas cartas,

os novos ases de copas, os amarelos-ouro

das portas, o azul distante e discreto

do novo a que não pertencemos?

O que será que devemos?
(agosto/1999) 

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