caindo – de bêbada – em si

não vai ser fácil escrever o que vou escrever agora.

vou ter que admitir – e é melhor que o faça “publicamente” logo, pois é algo necessário – que tenho sérios problemas com o álcool. alcoolista? alcoólatra? não sei, nem vou me preocupar em dar o nome correto. o mais importante agora é que eu tome consciência de que beber não tem sido nada bom pra mim.

e não estou falando por causa das grandes ressacas, que estão tomando proporções cada vez mais assustadoras com o passar do tempo e o peso da idade. estou falando aqui é do próprio momento do beber, o socialmente, o drink com os amigos, a festinha inocente, a cervejinha aquela, as tacinhas de vinho, o espumante para brindar. a farra.

o problema é que não há freio. depois que começa, vai tudo ladeira abaixo sem hora para terminar. o que era pra ser uma noitada leve, com algumas taças para animar ou festejar, acaba sendo uma noitada de excessos, cujo final – ou mesmo miolo – se perde em uma nuvem de esquecimento.

amnésia alcoólica grave.

já fiz coisas que só soube depois porque me contaram. e tenho certeza de que fiz ou disse coisas que não me contaram, e dessas eu tenho muito medo de saber. grandes períodos de tempo que eu vivo sem saber o que estou vivendo. já pensou no tamanho deste absurdo? já imaginou a altura deste precipício?

tenho bons e variados exemplos de alcoólatras na família. dois tios e um pai. assim, esta facilidade em cortar caminho pelo atalho errado está aqui, no meu sangue, correndo pelas minhas veias.

depois de um (in)determinado número de copos chega aquele momento em que nada mais vai me segurar.

no início era engraçado: a pessoa que não quer ir embora, a pessoa engraçadinha, a pessoa que se solta, fica alegrinha, fala piadas, namora fácil, adora beijar na boca, paquera sem se encabular, fica mais criativa, mais inteligente, maneira, gaiata, simpática.

até que os dias seguintes começam a se tornar um amontoado de dúvidas, vergonhas, dores, espaços em branco, tetos-pretos, lacunas, mais vergonhas, ressacas morais, péssimas surpresas, irresponsabilidades, vazios. os dias seguintes começam a ter, eles mesmos, seus dias seguintes.

isso mesmo, não basta mais apenas um dia para curar o mal de uma noite apenas de bebedeira. a coisa começa mesmo a ficar séria.

então, o jeito é cair em si e admitir, em alto e bom som. por mais que seja difícil, porque eu gosto tanto delas, das bebidas. ah, eu adoro uma cerveja, um vinho, o espumante, a caipirinha… adoro! mas eu não posso mais beber álcool – e vou ter que parar, infelizmente. é o jeito.

eu vou ter que parar justamente porque quando começo não sei a hora de parar.

espero que os amigos compreendam.

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