Elogio da implicância

Bem, eu criei uma polêmica comigo mesminha a respeito do Elogio da Madrasta, de Mario Vargas Llosa. Impliquei com o livro, depois conversei rapidamente (na verdade troquei rápidos tweets) com duas pessoas a quem prezo, e resolvi repensar esta minha implicância. Vamos ver.

Eu estava lendo autores modernos, jovens. Os dois últimos (morro de meda de dizer último, ô, besteira)… os dois mais recentes livros que li foram de escritores relativamente jovens, ambos ingleses (Chris Cleave e Nick Hornby). Estilo sequinho, direto, irônico.

Daí me deparo com Llosa e o seu Rigoberto taradão, cheio de papas na língua, com a prosa interessante, bacana, saborosa (vá lá) mas rebuscada, requetrefeada, pomposa… Sei lá, acho que não comprei a ideia. Acho que o seu Rigoberto lavou demais os sovacos ou descreveu com detalhes (burlescos) demais o traseiro da mulher dele. Talvez eu deva dar um tempo pro livro (estou na página 72) e voltar depois, mais aberta a toda essa sensualidade rocambolesca e meio adjetivosa…

Sei lá, é o tipo de narrativa, sabe? O jeito de falar de erotismo. Achei pegajoso. Como se um velho bem velho fosse se chegando, lambendo os beiços, pra dar um beijo na boca de uma garota bem novinha. Fiquei com certo nojinho do livro, pode?

Eu curti o Travessuras da Menina Má. Mas relembro agora de ter sentido nele também um pouco desta quase repugnância que o jeito de falar de sexo do Llosa me causa. E eu adoro ler sobre sexo, sou chegada num “porn-style”, sem preconceitos, na boa… É o jeito DELE que me repele, eu acho. Dá um certo nojinho.

Estou entrando numas que eu tenho problemas sexuais com dom Mario Vargas Llosa. E olhe que o coroa é arrumado… Mas repare bem, veja aí a cara dele, essa coisa latin lover… Ah, vai dizer? É meio brega, sim. Pegajoso, que nem “as abluções de D. Rigoberto”. Hahaha!

Tenho certeza de que os fãs de Mario Vargas Llosa estão me odiando. Mas deixa eu dar uns exemplos, pra vocês verem que minha implicância pode sim, ser injusta – e por certo é injusta, mas vou fazer o quê? – mas que também não é de todo exagerada.

Na página 47 diz assim, ó:

“Ensaboando-se, acariciou os peitos fortes e grandes, de bicos eretos, e a cintura ainda grácil da qual saíam, como as duas metades de uma fruta, as amplas curvas dos seus quadris, e as coxas, as nádegas e as axilas depiladas e o pescoço alto e delicado adornado com uma pinta solitária.”

Não pude evitar imaginar uma mulher-fruta qualquer, gostosuda, mas brega. Pinta solitária, nãm…

E na página 72, final de um capítulo onde o Rigoberto taradão está se aprumando (e aprumando o Rigobertão dele) pra encontrar a amada ao leito do casal:

“Um segundo antes de deixar o banheiro às escuras, notou num dos espelhos da penteadeira que suas emoções e devaneios já haviam permutado sua humanidade por uma silhueta beligerante, um perfil que tinha qualquer coisa do animal maravilhoso das mitologias medievais: o unicórnio.”

Essa do unicórnio, aí tá osso, vai.

Mas, bem… Como posso dizer? Agora, mesmo com a mulher-melancia e o homem-unicórnio, mesmo assim, aqui, transcrevendo estes trechos, sinto a necessidade de deixar bem claro que eu RESPEITO PRA CARAMBA o escritor. E percebo que é este estilo que me cansou um pouco, porque eu estava numa outra onda… Enfim, fica o registro de meu empacamento literário do momento.

Vargas Llosa, me perdoe. Não é você, sou eu.

UPDATE em 8/9/11 —> larguei o livro.

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