Carta para um assassino-suicida

Amigo, você deve estar achando que foi um su-ces-so a ação terrorista do rapaz aquele lá na escola do Realengo. Fez aquela barbaridade toda, se vingou da vida tosca dele nas criancinha inocentes, morreu – tudo conforme os conformes – e arrasou na mídia. Carão bombando no Jornal Nacional, nomezão em bocas de Fátimas e Patrícias globais, manchete em todas as tevês, revistas, jornais, uma beleza. Você deve ter lido a carta do doido, aquela besteirada toda estampou muita capa de jornal. Ficou parecendo que era “grandes coisa”, aquele amontoado de insanidades. O povo todo falando dele, de como ele era, onde trabalhava, em que acreditava… Ah, você bem que tá crente de que foi um puta sucesso, que o doido conseguiu exatamente o que queria. Mas colega, antes de você se matricular numa escola de tiro e comprar outro trezoitão roubado, deixa eu dizer uma coisa. Foi uma merda, cara. Porque já já a gente toda do Brasil esquece a tragédia. Porque a gente sempre esquece, é normal, é de nós. Fica tudo como antes no quartel de Abrantes… Quer dizer, como antes não, aquele PM que acertou o doido saiu de herói. E vivo. E o doido lá, mortão, com as orelhas pegando fogo de tanto que falaram mal dele. E sem nada das frescuras religiosas e fanaticosas que ele “solicitou” na carta dele. E já já esquecidão, enterradão. A boca cheia de formiga. Bem feito. Então. Vou te dar uma dica nesta carta, amiguinho. Se você também está nessa de problemas de auto-estima, se você só se distrai quando fica fazendo pose de Stallone Cobra na frente do espelho em casa, se você fica de mimimi quando lembra dos seus coleguinhas do primário, achando que eles foram muito maus com você… largue de frescura, e saiba que você está muito, muito iludido, irmão. Pra começar, ninguém está dando bola pra suas xurumelas, e depois ninguém vai mais querer saber delas. Ninguém vai dar a mínima! Você vai ser redondamente esquecido, e vai ficar só a pobre da sua família (ou o que restar dela) pagando os cacos e os micos que você deixou pra trás. Caqueira, tranqueira, “pobremas”, tipo o que cai de caminhão de mudança de pobre, na lombada, sabe? Vexaminoso. Sério, amigo. Se você está entrando numas que entrar na sua ex-escola atirando em criancinha é tipo um atalho para a fama, sucesso póstumo ou o céu de Jesus ou Maomé, deixa eu dizer uma coisa: é não, ó… Mané.

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4 pensamentos sobre “Carta para um assassino-suicida

  1. É, Clarisse… eu fico pensando: precisava falar TANTO dele e do que aconteceu na mídia? Por que fica claro que o objetivo não é informar. É chocar, é criar espetáculo. Quem sabe não é mesmo um des-serviço, estimulando outros a tomarem o mesmo caminho… Mas também fico pensando fosse ele um psicopata, psicogato, psico-seja lá o que for, a realidade é que hoje em dia, na sociedade, ninguém presta atenção em ninguém… como é que alguém não detectou antes que ele era um doido varrido? Por que não fizeram nada? E eu me respondo: Por que era problema dele. Sim, era problema dele… até que deixou de ser…

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    • é verdade, valerinha. coitado dele, era um pobre dum infeliz, com uma mente conturbada, precisando de atenção. tanto fez, que conseguiu… coitados de nós.

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