Zumbido de Carnaval

Acabei de ler, no feriado de Carnaval, o livro Pequena Abelha, de Chris Cleave. Este aí da fota.

Caraca. É uma história arrebatadora, assustadora – porém é escrita com tanta maestria que a gente é levado até suas entrelinhas como que carregados por uma onda que deságua na costa nigeriana. É foda. Genial. Confesso que fiquei com medo de algumas passagens, por serem muito cruéis, muito cruas, viscerais, doentes. A raça humana pode ser algo absurdo. Mas superei-as corajosamente, não fiz como faço em alguns filmes: afinal, não dá pra ler com as mãos tapando a visão nas partes mais fortes da história.

O fato é que recomendo fortemente a leitura de Pequena Abelha. Por causa da força da história em si, pelo seu final instigante, claro. Mas muito pelo seu autor. Porra. O cara é um europeu macho que se coloca na posição de duas mulheres, de forma tão plena (pelo menos literariamente plena), e pela forma talentosa com que cumpriu o que prometeu, ele sem dúvida mereceu toda a minha consideração de leitora.

As mulheres têm seus caminhos cruzados, algo quase surreal. Uma delas é uma adolescente nigeriana refugiada, assustada, apavorada, corajosa, carregada de uma tragédia tão contundente que chega a parecer invencionice. Outra é uma inglesa de trinta e poucos anos, mãe, editora de uma revista feminina, também corajosa, para quem a única tragédia possível é a que se passa dentro de seus sentimentos pequeno-burgueses, de seus relacionamentos parcos, de sua vida vazia. O autor fala pela boca dessas duas mulheres, alternando a narrativa, e o faz de forma perfeita.

Agora vou pesquisar mais livros dele. O cara merece; ele me ganhou. Mas vou ler algo de outro alguém antes, ainda não sei quem. Tenho alguns livros ali me esperando, ansiosos como abelhinhas zumbindo em torno da colmeia. Vamos ver qual delas vem me trazer o próximo pote de mel.

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2 pensamentos sobre “Zumbido de Carnaval

  1. Fiquei intrigada com sua resenha de “Pequena Abelha” e vou ler. Lembrei muito de outro livro que gostei bastante e que também fala de crueldade e sofrimento feminino, chamado “As boas mulheres da China”. O nome da autora é Xinran e, se já não tiver lido, vale MUITO a pena. Vou te acompanhando. Pelo divagarim, pelo twitter e, quando tu me der cabimento, pela vida… Bjs

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