You, Jane


Meu inglês é parco, curto, não passa muito da terceira página. Cheguei a começar um curso, desses que papocam por aí, com uma mensalidade aceitável, mas não passei do segundo semestre. O pouco que sei aprendi sei lá como, aprendi aprendendo.
Chego a conversar com certa fluência, bater um papo mesmo, desde que bem concentrada e acompanhada de muito interesse pelo assunto… Ou acompanhada de uma ruma de cervejas. Aí sim. Aí encaro o mais britânico dos ingleses ou até mesmo um americano da gema. Tipo do Texas, ou Massachusetts. E fico fluente que só, aliás, não só em inglês como em espanhol, catalão, alemão…
Quando estou ouvindo música, coisa que faço muito menos do que devia, e a música é em inglês, como o são em sua esmagadora maioria, pelo menos em meu iPod, bem, quando estou ouvindo música às vezes me pego pensando: porra, o que será que esse cara tá falando? Será que eu estou aqui, bem abestada num clima de felicidade e o cantor lá todo deprê afundado na tristeza?
Nãm.
Nessas horas fico pensando: porra, como é pouco o meu inglês. Só entendo a música em inglês se ler a letra, e olhe lá. Precisava de um curso, de treinar conversação, tenho mesmo que aprender a falar essa porra. E isso é top da lista daquelas coisas que a gente sempre promete e não cumpre: estudar inglês, fazer ginástica, passar creminhos…
Vivo prometendo e não cumprindo.
Meu inglês tarzânico já me causou alguns constrangimentos. Pessoas que juravam de pés juntos que eu era fluente e perceberam encabuladas que eu sou mesmo uma farsa; perguntas idiotas em situações embaraçosas; respostas arrevesadas, vaguíssimas, a perguntas que até agora ainda não entendi. E tem a história famosa (para mim) do “fechamento da galinha” que me aconteceu num pub inglês, no século passado. Ô, besteira. ô, vexame.
Geralmente na hora de falar inglês só me vêm à mente grunhidos como uh-uh-ah-ah. Se bem que… Ah, tudo tem um porém.
Nesse momento, por exemplo, estou ouvindo Perfect Day, num clima de pretensa leveza, num momento de exposição de alma, abrindo janelas. Doida para ser feliz. E de que me adiantaria entender perfeitamente a letra da música? Lou Reed cantarola toda uma bela dose de depressão muito da mal escondida por ali.
Tchau, vou bem ali comer uma banana.

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