quarentena – dia 5

aqui no ceará tá um crescente bem foda de pessoas testando positivo pro coronavirus (vou falar testando assim mesmo, nessa traducao tosca, mas é que é assim que tá aparecendo direto no jornalismo brasileiro, essa coisa pega). hoje é sábado e até segunda estaremos no pico do mês de abril. crescimento exponencial não é brincadeira não. lembra daquela história do tabuleiro de xadrez? (vou procurar e boto o link aqui.)

enquanto isso, o presidente da nossa republiqueta insiste em chamar a pandemia do covid19 de gripezinha. já chamou de fantasia, de histeria. uma doença que já matou milhares no mundo, fez um estrago enorme na itália, por exemplo, onde nem estão mais conseguindo enterrar ou cremar seus mortos, de tantos, de cada vez mais. minha vontade é de enfiar uma epidemia, inteirinha, no cu do jair bolsonaro. sem alcugéu.

o fascista burro cuzão que está presidente acha um exagero as medidas do governador aqui no ceará de fechar os shopping centers e restaurantes. fica dizendo que a economia vai parar. ora, a economia vai parar quando tivermos mais de mil mortos e milhares entubados nas utis de todo o país, otário. agora o momento é o governo federal abrir a carteira e liberar dinheiro pra população poder ficar em casa, comprar coisas para o sistema de saude, publico e privado, respiradores, medicamentos, tudo.

no brasil e principalmente no nordeste estamos lutando apesar do governo. apesar dele. porque o xenófobo politiqueiro está cortando verbas fundamentais para a sobrevivência dos nordestinos pobres, com ou sem coronavírus. o governo federal está trabalhando contra o povo brasileiro. está cuidando é do mercado, está preocupado com o quanto o guedes vai conseguir arrancar do erário, do tesouro nacional, das reservas deixadas pelo ex-governo progressista.

creio que exageramos no drama deste roteiro bizarro: uma pandemia é a pior época possível para sermos governados por bandidos irresponsáveis.

oficina de poema

comecei hoje a fazer uma oficina de poesia – cheguei tarde, ‘pra variar’. (inclusive, divagando como sempre, lembro que minha mãe dizia que eu havia puxado isso de meu avô, disse ela que ele nunca havia pegado um trem parado, chegava sempre atrasado na estação e tinha que embarcar correndo, primeiro jogava as malas, depois se alçava na cabine.) seja como for deu certo e adorei começar um novo grupo de gentes em torno de algo.

gosto disso de fazer oficinas porque isso me impele a escrever as coisas. escrevi “retalho, rebotalho” por causa do curso de dramaturgia do dragão do mar; escrevi “a matriarca encarcerada” por causa do percurso de dramaturgia no porto iracema das artes. participei de várias coletâneas de contos por causa do ateliê de narrativas da minha querida socorro acioli. e agora me reuni a um grupo em uma oficina de poesia com carlos augusto lima. e só de começar a falar sobre poesia – e também porque tem as tarefas de casa, claro, adoro! – já me faz pensar em escrever poemas.
(por isso vou deixar aqui já guardada uma proposta para a tarefa de casa: escrever um poema sobre o poema.)

poema da oficina

minha escrita é um carro velho

que vive enguiçando

motor dando prego

por isso busco as oficinas

só de ouvir os mestres falando

exibindo as ferramentas

a ideia já pega no tranco

a peça de teatro escorre do título

o romance nasce dum desafio

autoinfligido

os contos se sucedem e contam pontos

e assim do nada, de repente,
um poema se joga na frente

(ou então ele se senta à beira
da estrada e cruza as pernas
ao meio-fio)

e se mostra seminu nas fotos

do calendário na parede

sujo de graxa, o poema

bacia cheia d’água com a câmara de ar

de um pneu furado

eis que estou em uma oficina

excelente ideia

e o poema é um passat amassado

um palio estacionado há décadas

empoeirado

acho que o poema é sempre algo velho

ou então uma sina

carinho do cliente

recentemente recebi uma homenagem de uma empresa para quem já criei 3 revistas de quadrinhos, e foi uma das coisas mais fofas que aconteceu na minha vida profissional.

vou colocar o print do post no instagram logo abaixo. e aqui o link para ver a animaçãozinha, que por sinal achei muito massa. chega fiquei encabulada.

obrigada, vini e todo o pessoal da marquise – ecofor.

… pensando o futuro

É isso mesmo. Acabo de chegar em casa de uma ressonância magnética e resolvi anotar qualquer coisa, direto aqui no WordPress. Me ocorreu que quando fiz minha primeira colonoscopia registrei aqui também, e – pior, muito pior – quando fiz o tal ultrassom retal. Foi humilhante e ridículo, como eu poderia me abster de tentar uma crônica? Lógico que registrei aqui também, afinal não é sempre que temos a oportunidade de nos expor a situações assim esdrúxulas. Hahaha…

ressonancia-magnetica-joelho-preco-800x300

Não sei se já falei aqui das minhas crenças em coisas que muita gente considera bobagem. Mas eu acredito sim, que tudo que acontece nasce das vibrações, e também nasce no cérebro da gente. Essas coisas de física quântica, poder do pensamento, good vibes, eu acredito nesses trem tudinho. E posso afirmar que tenho recebido provas quase cotidianas de que sim, isso de pensar, mentalizar, “fazer minhas pequenas bruxarias”, isso faz sentido. Gosto muito daquela experiência que um japonês fez usando apenas a energia de palavras escritas. Se eu encontrar coloco o link aqui.

universo azul

Ocorre que o quê eu fiz? Juntei os dois parágrafos acima durante os 20 minutos em que fiquei lá naquele tubo barulhento – com vários estilos de ritmos percussivos se alternando SEM uma ordem lógica, o que me perturba um pouquinho – e aproveitei para mentalizar as coisas que eu quero que aconteçam, que parecem por hora difíceis de acontecer, mas que irão acontecer sim, pois eu já as iniciei em minhas ondas mentais e em minhas vibrações. Lembrando que, nesta minha “religião”, há uma premissa que diz que os nossos desejos nascem de um contraste (com a realidade, com o oposto dele), eis que, no finalzinho da ressonância (como era de se esperar) eles pararam um pouquinho, injetaram um contraste na minha veia e me retornaram pro tubo barulhento. Lógico que aproveitei os minutos finais para reforçar as minhas mentalizações, porque uma bruxa moderna deve aproveitar os momentos que mais inspirem, pois não?

ceu azul

Foram cenas lindas, as que imaginei, e serão as que viverei daqui a um tempinho. Depois, quando acontecerem, eu falo aqui sobre elas. Ou não. Estas cenas eu costumo reservar para um caderno real, para a tinta e o papel. O mais engraçado é que o caderno tem escrito “think future” na capa, e já tem alguns “feitiços” meus, ali registrados. =)

 

INFRAORDINÁRIO 7

(18 de janeiro de 2019, sexta-feira)

Eu nunca fui uma pessoa muito musical. Lógico que tenho as minhas preferências, mas nunca fui muito ligada. De uns tempos pra cá a música tem me invadido de uma forma deliciosa. Um exemplo é a antessala do meu analista, como já contei outro dia. Outro tem a ver com meu coração e sua nova rotina. Hoje pela manhã fiz o que tenho feito estas duas últimas semanas, desde que me apaixonei perdidamente e comecei a namorar: abro o Spotify para conferir as playlists que ele cria para mim. Já são quatro, batizadas em minha homenagem e com músicas que me dizem muita coisa, me conectam comigo mesma e com ele de uma forma mágica. Imagino muitas coisas, mas não estou conseguindo imaginar meus dias sem elas, sem ele, sem essa rotina para os meus ouvidos e o meu coração. Tenho vivido isso desde o primeiro dia deste ano, que eu achava (eu tinha certeza!) que seria um inferno, o inferno depois do inferno, mas que para mim está sendo um paraíso. A grande dificuldade tem sido encontrar este tal infraordinário quando tudo ao redor parece tão lindo, tão inesperado, tão cheio de promessas. Amar deixa tudo extraordinário.

INFRAORDINÁRIO 6

(17 de janeiro de 2019, quinta-feira)

Depois de transbordar de emoções e lágrimas na sessão de análise até o momento lacaniano (sei lá) do “ficamos hoje por aqui”, saio do consultório, atravesso em diagonal a avenida Santos Dumont e entro no café Viriato, no shopping Del Paseo, onde peço um bulezinho de chá. Isso virou uma espécie de rotina, uma já tradição pessoal das minhas quintas-feiras. Fico ali me rearranjando, reorganizando dentro de mim as tantas coisas que ficaram mexidas. O chá chegou à mesa, em uma jarrinha transparente ao lado de uma pequena ampulheta – que sinaliza a hora de se servir. O bule de chá este funciona de um jeito interessante: a gente coloca ele assim, de pé sobre a xícara, aperta um bilotinho na alça e o chá vai saindo por baixo, enchendo a xícara enquanto o dedo estiver pressionando. Um bulezinho daqueles dá umas duas xícaras e meia, talvez três. Hoje, ao me servir do chá, o biloto do bule travou e a xícara encheu, encheu, encheu, derramou sobre o pires, empapou a toalhinha sobre a mesa, invadiu o mármore, inundou a mesa, encontrou um caminho na borda e começou com um pingo comprido um vazamento para o chão. Recolhi as pernas para um lado e pedi socorro com um gemido semi desesperado à garçonete que me acudiu, toda cheia de paninhos e guardanapos, entre sorrisos constrangidos e, sim, achando graça. No blend do chá, cujo nome não me ocorre agora, haviam umas três ou quatro ervas. Lembro apenas da palavra “roublos”, porque é bonita, me remete a “arroubos”. E porque houve um transbordamento ali.

 

INFRAORDINÁRIO 5

(17 de janeiro de 2019, quinta-feira)

Quando cheguei à antessala do meu analista não tinha música – eu já estranhei.  Faço análise há apenas dois meses, sempre tem música ali na salinha de espera, e é música muito do meu tempo, do meu gosto, meio que me recebe e me prepara para o que vem. Eu chego sempre suada, esbaforida, arfando; não que eu venha correndo, mas caminho umas, sei lá, umas 8 quadras, e meu pulmão não é mais lá essas coisas todas. Gosto disso de vir caminhando, mas é pelas 10 horas da manhã e o sol já está forte. Então chego sempre assim meio suada, tenho que dar uma paradinha, respirar, me recompor. E sempre tem a tal da música boa me esperando. Mas hoje não tinha. Isso colaborou para uma dúvida que eu sempre tenho quando chego ali, se devo ou não bater à porta avisando que ali estou. Acho que Mardônio já me deixou claro que sim, estando em meu horário, é OK eu bater. Mas eu fico sempre em dúvida, se bato logo à porta ou se espero um pouco, ou talvez eu fique mesmo só espichando aquele tempinho e curtindo a música, porque é bem boa mesmo a playlist da sala de espera do meu analista. De repente começa a tocar: é Doors. Mardônio abre a porta.

INFRAORDINÁRIO 4

(16 de janeiro de 2019, quarta-feira)

A Isa foi almoçar com as coleguinhas e eu almocei as sobras da geladeira. Curti muito poder almoçar apenas arroz, feijão e macarrão, em uma cumbuca esquentada no microondas. Só isso mesmo, sem salada, sem carne, sem culpa e sem precisar estar servindo de exemplo para seu ninguém.