a cadela do fascismo está no cio

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luta que inspira e fortalece

(Texto de Otávio Antunes)

Cresci ouvindo de meu pai que deveria me defender sempre que fosse atacado. Ou tivesse um dos meus atacados. Ouvi minha mãe falar a vida inteira que eu era destemido. “Esse menino só chora de raiva”, dizia.

Amigos sempre disseram o mesmo. Briguei muito na adolescência pelos motivos errados. Outras vezes pelos motivos certos. Na juventude, e depois na vida adulta, escolhi melhor minhas batalhas. Algumas várias delas físicas. Algumas delas contra aliados que, em algum momento, pareciam inimigos. Nunca foram. Fui mais derrotado que vitorioso, apanhei mais que do que bati. Mas, mesmo na tempestade, poucas vezes tive medo de atravessa-la. Nunca fiquei apavorado.

E, em algum momento, escolhi as palavras, a reflexão e o argumento como armas, quando me apaixonei pela política e depois quando optei pelo jornalismo. Mesmo assim segui correndo sempre “em direção a confusão”.

Algo mudou quando minha primeira filha nasceu. Passei a escolher ainda mais minhas batalhas. Todas as minhas energias são para que minhas filhas cresçam e tenham uma boa vida. Que tenham alegria nos pequenos momentos, amem com muita força e dêem valor as pessoas mais do que as coisas. E por outro lado para que esse país e planeta sejam menos miseravelmente injustos e desiguais entre as pessoas.

Queria dizer que este texto é pra reforçar essa ideia. Mas não é.

As vésperas de chegar em Curitiba, última etapa da caravana de Lula pelo Sul. Sou obrigado a admitir que tive medo. Mais pelo que virá, é verdade. Mas tive esse medo físico que dói nos ossos também. O conhecia apenas por literatura. Por relatos. Vi muita gente com esse frio na barriga que parece uma apneia.

Nesta Caravana vi de perto trabalhador açoitado, meninas espancadas, jornalista agredido, padre alvejado e mulher arrastada pelos cabelos. Uma turba atirando bombas e pedras contra brasileiros, separados por uma ideia. Fiquei sitiado junto com outros camaradas, em estradas, ruas e praças. Tomei chute de oficial da PM que deveria nos proteger. Ouvi de outro coronel que “era hora do troco”. Um amigo teve a orelha dilacerada por alguém que fechou um pedregulho em sua mão, chegou devagarinho e deu uma pancada a queima roupa. Quem fez isso estava no auge dos seus 25 anos no máximo. Meu amigo com quase 70 anos.

Em Bagé homens armados e identificados (protegidos) pela polícia chegaram a 100 metros de Lula.

Em Santa Maria um cordão de esperança, formado por estudantes, em sua maioria meninas que certamente poderiam ser minhas filhas, foram a última barreira entre a turba que exalava ódio e Lula. Menos de 20 metros de distância.

Em São Miguel D”Oeste a polícia permitiu que atacassem ferozmente nossos ônibus e carros. Vidros quebrados e quase, por muito pouco, não somos obrigados a descer dos ônibus. Quem sabe o que poderia ter acontecido? Eu estava com o espírito preparado para defender fisicamente o presidente e todos que estavam na caravana. Até o fim. Mas estava com medo.

Em todos esses casos jornalistas dos grandes veículos de comunicação estavam presentes. Na maioria das vezes mais assustados que os integrantes da caravana. Também atacados. Mas, muitas vezes, tratando como “normal” e como conflito, e não ataques, os acontecimentos. Não tem nada de normal no que está acontecendo. A indignação dos jornalões apareceu apenas quando alguém próximo da caravana errou feio e deu um tapa em jornalista do Globo, enquanto a escolta presidencial identificava indivíduos com litros de querosene (!!!!!) e pneus em uma caminhonete tentando invadir o aeroporto. Imaginem a tensão. O tapa, erro grave e injustificável, foi notícia. As agressões contra outros jornalistas não foram. Nem a tentativa de incendiar um aeroporto. (Nota posterior: Tudo mudou depois dos tiros, mas antes…)

Em Chapecó, depois de um cerco ao hotel do presidente e tentativa de arrombar as portas, Lula teve que abrir caminho com seus apoiadores e voltar da praça, também tomada por apoiadores, em outro cordão humano até seu hotel. Por três horas bombas e pedras foram arremessados em direção ao povo na praça. Novamente sob os olhares da polícia militar.

Onde isso vai parar? Não tenho a mínima ideia. Mesmo com tudo isso TODOS os eventos com o presidente estavam abarrotados. Muita gente correndo risco. Escondendo suas camisetas vermelhas. Mas negando o ódio, com aquele

sorrisão no rosto que marca os encontros de nosso povo com Lula. Isso diz muito sobre as razões dos que atacam a caravana.

É injustificável que alguns democratas deste país não estejam se estapeando para se somar a caravana, sem alterar em nada seu tom crítico em relação ao ex-presidente. É inaceitável o silêncio de parte da esquerda, que espera o espólio de Lula ou pensa que essa batalha não é sua. Mesmo os liberais deveriam ter aprendido com a história: quando se solta a besta da coleira, recolhe-la não é tarefa fácil. Culpar a vítima pela violência que sofre é um escárnio.

Por tudo isso admito meu medo. E peço, como em prece, todos os dias, para que ele sirva de combustível pra lutar. De lenha pra queimar e arder. Que ele vire sempre coragem pra ir adiante. Pra que naquele momento mais tenso, na hora mais escura, quando um dos meus olhar nos meus olhos antes da próxima “batalha”, do próximo evento, do próximo encontro, não me encontre paralisado. Nem em pânico. E nem com ódio. Prefiro a morte. Amém.

por que querem matar o lula

deve ser muito ruim não poder gostar desse cabra da peste! deve ser mesmo desesperador para os reaças saberem que lula tem o amor da maioria dos brasileiros. deve ser tão frustrante, que eles sentem inveja desse carisma, da inteligência genuína, da verdade… e eles querem parar o lula de qualquer jeito.

eles querem nos parar de qualquer jeito, já não bastasse terem rasgado a constituição agora estão apelando para o terrorismo roots, jogando pedras, atirando em ônibus, encomendando assassinatos, incitando o ódio – até em frente de crianças. a ignorância tomou conta de grande parcela de uma classe média que se mostra patética. dizer que direitos humanos é coisa pra defender bandido? uma carta de princípios criada no governo roosevelt, e defendê-la agora se trata de defender bandido? é muita desonestidade intelectual, pra não dizer direto burrice, mesmo.

assim como não conseguiram parar marielle, não conseguirão parar o lula. mesmo preso, mesmo assassinado, ele já virou semente.

a classe média estupida, que está a uns 5 mil reais acima da enorme maioria de pobres que tanto despreza, nem percebe que está a 500 mil ou a milhões de reais abaixo da minoria rica de quem lambe as botas. são tão idiotas que acham que a gente se refere a eles quando falamos elite. são uns remediados arrogantes!

são perversos e invejosos e fracos e covardes e toscos. são fascistas. e querem barrar o caminho do lula, incitando o ódio e usando de violência!

força, guerreiro. lute pela tua gente. lula presidente!

FIM DE LINHA

Texto de Felipe Araujo, que expressa parte da minha dor que abraça os pobres, os negros, os favelados, os desassistidos, as mulheres vítimas de violência, aqueles que lutam pelos mais fracos. Minha dor existe principalmente por ter, entre os meus, quem se alinha ao terror. Eles estão matando descaradamente. Já não há mais sistema judiciário. Acabou.

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É terrorismo! Simples assim. Uma perversa combinação entre a boçalidade fascista e a lógica miliciana. Há alguns dias, foi Marielle. Agora, o atentado a Lula e sua caravana. Antes e depois, centenas de outras mulheres e homens que ousaram lutar por justiça social. Mas de onde vem tudo isso? Quem nasceu antes? O ovo ou a serpente? Desde sempre, o Brasil se nos revela distorcido por uma imprensa majoritariamente torpe e por um judiciário fundamentalmente parcial. Crimes gravíssimos em qualquer democracia desenvolvida. Não por aqui. O ódio contra o povo, fermentado por nossa casa grande e seus mecanismos de controle e alienação, fez ferver esse direitismo atávico e chucro. É seu próprio salvo conduto. Vestindo penachos numa praia distante, mas bem dentro aqui, nossa classe média ganha seus espelhinhos em troca de seu ranger de dentes. Ou do seu bater de panelas. Essa sanha moralista e hipócrita modulou a sinfonia da nossa história para um tom assustador. Ainda desceremos um bocado antes de evoluirmos para alguma esperança. Cuidemos, pessoal! Brecht bate à porta da nossa tragédia. O cinismo, a brutalidade e a covardia nos levarão em breve e, no entanto, já é tarde desde agora. Não sobrará ninguém para se importar conosco. Nem a juventude negra e pobre exterminada nas periferias, nem as mulheres massacradas pelo machismo estrutural, nem os trabalhadores e trabalhadoras do campo condenados a uma eterna servidão, nem o arco-íris LGBT manchado pelo sangue da intolerância. Ninguém daqueles com quem nunca nos importamos. Não sobrará ninguém para se importar com nada.

arriba! arriba!

ontem isa e eu fizemos uma jantinha mexicana 😊 burricos comprados prontos (achei meia boca), molho com pimenta e guacamole delicia com doritos!

como estou fora do facebook vim compartilhar aqui, no meu blog que ninguém lê 😂

feliz ano novo meu povo

2016 terminando hoje. pense num anozinho que foi pesado. me roubaram o voto, me senti desamparada e impotente. levei golpe depois de golpe, eu e mais tantos brasileiros, uns conscientes, outros manipulados. tanta gente massa partiu, parece que foi uma revoada. foi mole não.

mas este post não é um post mimimi. li não sei onde e concordei que a gente deve sim tentar ficar bem feliz nesta festa e desejar feliz ano novo pra todo mundo e tal. porque gente triste não faz bem a ninguém, não presta pra nada; gente alegre é muito mais produtiva, e isso é uma coisa que nós todos estamos carecas de saber.

em 2016 busquei um curso de meditação e respiração, desses que tem até guru, e no meio de uma determinada aula, enquanto a nossa professora falava, uma coleguinha soltou a pérola: “e tu, toda petista, mas com um carro importado!” – sendo que eu havia dado carona pra coleguinha nas duas aulas anteriores. o mais irônico é que eu busquei este curso porque eu estava me irritando muito na internet, a burrice e a prepotência dos coxinhas pululando na minha timeline. fui descansar, tentar sossegar a mente e aprender a meditar, e me aparece logo essa anta, e gaúcha ainda por cima, parece que só pra me irritar ainda mais. nem pagando o curso ela estava, ela era tipo uma voluntária, sei lá. enfim. só sei que peguei um abuso de tudo a partir dela, e saí mais cedo na penúltima aula e não voltei pra aula de encerramento. porque eu sou dessas.

custo a me incomodar. sou incrivelmente adaptável e tenho tanta boa vontade com os outros que muitos custam a acreditar. mas ao mesmo tempo, se eu chegar a pegar um abuso da pessoa, aí se chegar a um determinado limite, se eu chegar a não gostar mais dessa pessoa, aí sinto muito, mas aí é pra sempre. tipo: sou rancorosa e guardo as mágoas. putaqueopareu é foda ter que admitir, mesmo porque eu acho uma grande burrice, a pessoa faz mal a si mesma e tal, mas eu sou assim. posso até “perdoar”, mas não quero mais ver, não quero mais ouvir falar, não me ligue nem esteja no meu grupinho do zapzap, não vou seguir essas pessoas nas redes socias, apenas não quero mais nem saber.

essa aí do grupo de meditação, coitada, não quero ver pela frente mas nem pintada com as cores de krishna.

e teve o senhor aquele, no centro espírita. sim, em 2016 voltei a frequentar (se pode-se chamar de “frequentar” ir umas 3 ou 4 vezes, alternadas) um centro espírita. um lugar muito lindo e meigo, adorei, me senti tão bem ali. fui em busca de tomar passe, acho que iria curtir assistir a umas palestras, mas o esquema lá não era bem assim. era pra sentar com algumas pessoas e conversar sobre o evangelho. de jesus. e eu não tenho a menor paciência com bíblia e com jesus e com esse papo de evangelho. eu queria ali era ouvir sobre o espiritismo, ou sei lá, o que eu queria mesmo era tomar um passe. o passe lá era só no finalzinho de tudo, e era em conjunto. e me sugeriram que eu rezasse o pai nosso. affff. eu não gosto dessa reza! aí o que eu fazia? ho’ponoponava, ora, lógico.

me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata. me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata. me perdoe, sinto muito, te amo, sou grata.

aí numa daquelas reuniões onde a gente lia um capitulo lá do evangelho, não sei qual era o tema que tratávamos, aquele senhor (a quem eu admirava, pela ponderação, pela sabedoria…) começa uma historinha assim: “conheci um senhor que era muito caridoso, apesar de ser ateu…”

eu já fiquei cabreira. o que eu mais gosto do espiritismo é o fato dele não ser uma religião. curto por se tratar de uma doutrina, um estudo, de elementos que me parecem coerentes, que pra mim soam com naturalidade… uma ciência espiritual acerca da natureza, enfim.

eu interpelei, no final da fala dele, dizendo que pra mim não fazia sentido aquela palavra “apesar”. porque vejo muito mais pessoas religiosas fazendo merda do que os ateus. e vejo muito mais ateus fazendo coisas lindas do que os religiosos. ele até que se safou em palavras meio constrangidas, mas ali rompeu-se o encanto de mais uma das minhas tentativas de busca espiritual em 2016.

voltei a minha terapia em 2016. andei precisando ouvir as coisas lindas que meu terapeuta fala, ou mesmo de ouvir o que seja, o tom da voz dele sempre me acalmava… Não durou muito, porque eu acabei saindo, eu faço sempre isso, eu interrompo as coisas.

e também a porra do ano veio se passando, esse tal de 2016, e veio se passando como um trator, atropelando tudo. e eu fui querendo me manter irritada, em riste, precisando me sentir em guerra contra as baixarias todas que vieram. não foi nada fácil estar atenta às notícias de política em 2016. mas eu já não queria mais me acalmar.

desencontros de pessoas, tristeza de ver amigos tão desconectados dos demais seres humanos, a banalização da vida, o fim da diversidade, direitos humanos virou mimimi, a esquerda e a direita mostraram as caras de uma forma tão visceral. não foi fácil mesmo.

comprei brigas, ganhei desilusões aos montes. mas eu precisava sempre me manifestar. nunca antes me senti tão fortemente ligada com as questões sociais, com a política. e que merdas fizeram ao nosso país durante 2016. quanta merda fizeram com o nosso país! e que merda ver que estamos todos amortecidos, muitos até cansados, estamos todos inativos, passivos, passados!

foda é saber que a decorrência da merda feita em 2016 vai rolar mesmo é em 2017. e é justamente por isso que é tão difícil pra mim chegar e dizer assim, na lata: feliz 2017! putaqueopareu, é difícil pra caralho, mas é preciso que se diga! porque gente triste, e gente sem esperança, e gente pesadona, não consegue nada, não movimenta porra nenhuma, não anda pra frente, só fica empacada. e deus me livre disso.

bom, tudo isso era pra dizer: feliz 2017, negrada.