palavras navegam pretensiosas.

busco a rima enquanto devia

empunhar, sei lá, um remo.

não parece, mas nada temo

mesmo em águas tempestuosas

me jogo na vaga da poesia.

e ora veja, imagine, quem diria:

minha vida é um mar de prosas.

 
 

Andei achando que tava com a vida ganha. Que nunca mais sentiria azia ou a droga do refluxo. Quá quá quá. Na noite passada me lasquei de tal forma que fiquei acordada, sentada, das 2 às 5 da manhã, sem conseguir dormir com a queimação horrível no estômago e na garganta. Juro que senti, quando estava deitada, uma onda de lava vulcânica indo pra lá e pra cá dentro do meu buchão. Confesso que caguei o pau no jantar (estou num resort em Presidente Prudente) e tomei chopp e comi salaminho, queijos, depois tomei vinho e comi uma massa… Resultado: uma noite de lava vulcânica. Sentada. Insone. Furiosa. Minha opção foi ficar na sala do chalé, matando o tempo na Internet, claro, onde mais? Daí que encontrei um blog sobre esofagite, dum cara fofésimo, e cujo último (mais recente) post começa desse exato jeito que comecei meu post aqui. Exatamente as duas primeiras frases, ali, antes da risada do pato. Pois é. Pena que ele, o Moa, o cara do blog, nao anda escrevendo mais. Cara, eu adorei o Moa! Assinei o RSS do blog, mas aquele ultimo post era de 2009. Algo me diz que o Moa desistiu de compartilhar suas aventuras e desventuras estomacais. Peninha. Tentei achar o email dele mas nao achei, quero ser amiga dele no Facebook, quero ele no meu msn, quero bater papos com ele sobre Pantoprazol e Motilium, sobre cervejolas e taças de vinho não bebidas, sobre arrotos esquisitos, sobre jantar cedo – no seco – e dormir com fome se achando altamente injustiçado… Impressionante como é bom encontrar alguém numa merda similar à nossa, credo! Moa, estou aqui humildemente te citando e linkando teu blog, no claro intuito de te arrastar para a minha vida. Amei o fato de você ser aquariano como eu e – impressionante – ter disciplina! Minha resolução-base para 2012 é saúde e disciplina. Pretendo escrever muito e não mais farrear (entenda-se beber, fumar, beber, fumar, beber, fumar). Adeus, noites quentes, de queimaçao de filme e de estômago. Ai, ai, Jisuis. Ah, sim, só pra registro: não fumo há mais de duas semanas e a última grande farra (digo última mesmo, do verbo não acontecerá jamais) foi no casamento do Gigante. Agora meu nome é dieta, caminhadas, natação, leituras, escritas, artesanato, jardim… Ok, serei uma chata. Mas uma chata que dorme à noite. 
 
 

Reuniões. Deu vontade de falar sobre. Tem as reuniões semanais, de planejamento e estratégia, com toda equipe. Tem aquelas mortais, diárias, de pauta, com atendimento e criação. E tem as pontuais, sobre projetos específicos, com os departamentos envolvidos.

Digamos que vou falar aqui sobre uma destas últimas. Com o pessoal da criação, o atendimento da conta, mais o povo da mídia e do planejamento. Faz de conta que é sobre o lançamento de um produto novo, do cliente X. Não, X não: Xis – pra não ficar assim, só uma letra, impessoal demais. Não, Xis não: Cheese – pra não ficar assim, insosso, sem charme ou personalidade.

Viu só? É só falar sobre reunião que já começo a tergiversar.

Não tem jeito. Tudo o que você sequer pensou em contar pra alguém você vai querer contar na reunião. Porque é fora da pauta. As pessoas amam falar sobre coisas que não tem nada a ver com o papo da reunião numa reunião. É natural do ser humano. É mais forte do que a gente.

(Parêntesis: uma das coisas que me fez curtir muito estar em agência é que mesmo um bosta qualquer lá dentro tem o prazer de ouvir uma secretária ou telefonista falar sobre ele: “o Fulano não pode atender agora, ele está em reunião”. Cara, isso é muito show! Se você for um bosta qualquer, claro… Por outro lado, uma das coisas que me fez querer sair de agência foram, sem dúvida, elas, as reuniões infrutíferas e intermináveis. Ah, sim, me desculpe a redundância.)

Tá certo, tá certo. Nas reuniões muita coisa legal também aparece, o tal do brain storm funciona (de vez em quando) e algumas soluções coletivas conseguem, sim, ser mais criativas e diferenciadas do que uma solução solitária de uma mente sem lembranças. Mas eu simplesmente abomino a ideia de “criar em conjunto”. Pode-se traçar o briefing, ideias gerais e uma meta em conjunto, mas o processo criativo é solitário e egoista – só não precisa ser mesquinho.

Nunca tive problemas em desenvolver campanhas cuja ideia inicial foi de outra pessoa. Sempre dei (ou melhor dizendo, a la Bruna surfistinha, “distribui” fartamente) os créditos da criatividade a quem quer que fosse – da equipe ou fora dela. Por outro lado, sempre tive problemas de ver pessoas apresentarem como suas ideias minhas. Já vivi muita cara de pau nesses quase 25 anos de carreira. Situações em que dava uma coceira no instinto assassino. E que fatalmente (ups) nasciam em uma… reunião.

O fato é que parei de dar ideias criativas de campanha em reuniões. Passei a ter uma atitude de organizadora das ideias alheias, pastora da pauta, missionária do horário de finalizar a bendita reunião… me transformei numa chata. Uma chata utilíssima, diga-se de passagem. Minha presença é transformadora em reuniões: eu faço de tudo para que elas tenham uma utilidade real, é questão de vida ou morte para mim.

Tem sempre a figura agarrada no celular, que volta e meia sai da sala sussurando para o aparelho e implorando benevolência com o olhar para todos ao redor da mesa. Tem aquela figura importantíssima que fica só se servindo de água e café, olhando fixamente com jeitão de zumbi para quem está com a palavra. Tem aquele que fala olhando apenas para você, só você, mais ninguém, como se só estivessem vocês dois na sala, e isso é terrivelmente embaraçoso. Tem aquela que fica tomando notas (sabe-se lá o que ela anota ali) e observando a todos com desdém. Tem a que faz uma ata da reunião, tipo secretária mesmo (na falta do que fazer eu já ocupei este papel – necessidade germânica de me sentir útil). Tem o que interrompe todos, sempre, a toda hora. Tem a que tenta pegar a palavra e desiste na segunda palavra. Tem o bom de papo, que fala maravilhosamente bem, encanta a todos mas não diz nada que realmente se aproveite. Tem a que sempre chega muito atrasada, pede desculpas e muda totalmente o rumo (do incerto para o duvidoso) da reunião. Geralmente essa é a pessoa responsável pela pauta.

(Se eu por acaso estiver rabiscando setinhas ou quadradinhos ou desenhando pequenas mandalas durante uma reunião, pode me mandar embora; me despeça mesmo, me descontrate rápido. É sinal que eu não sei nem quero saber nada sobre o assunto. Ou, então, peça desculpas por ter me convidado para uma reunião que não tem absolutamente nada a ver com minha pessoa. Tipo uma reunião sobre as questões de financiamento da compra da nova sede do cliente Cheese, entende?)

A ideia deste texto (a minha pauta mental) era criar uns diálogos bem divertidos de uma reunião imaginária sobre o lançamento do novo produto do cliente imaginário Cheese. Mas desisti no caminho. Fugi da pauta. Marcamos, então, você e eu, um próximo post, e então eu faço isso, certo? Fica marcado, então. Agendado.

E toda essa marmota aqui fica valendo como “prova viva” do que efetivamente acontece numa reunião: a marcação da próxima. Peguei pesado?


A veterinária da Juju (a nova, a "especialista em gatos", da clínica pra onde levei a minha velhinha nesta crise) é prolixa, adora falar as coisas cientificas, repete muito, espicha as baladeiras... Mas é tri eficiente e tals. Não tenho - nem nunca tive - paciência pra esse perfil.
Aí que agora ela ligou pra falar que achava que deveria ser importante fazer um exame de bilirrubina (ou algo assim) e eu, que até então estava escutando silenciosa pacientemente todas as explanações médicas dela acerca dos problemas de saúde de minha gatinha primogênita, não aguentei mais e interrompi.

Ela (sonhadora) - acho que talvez seja interessante fazermos um exame de bilirrubina e...

Eu (cortando) - o que é bilirrubina?

Ela (começando a me dar uma aula) - bilirrubina é uma substância que, encontrada no sangue em doses...

Eu (cortando de novo) - é que doença?

Ela (meio passada com minha estupidez) - bilirrubina não é uma doença, é uma substân...

Eu (cortando mais uma vez) - o exame, esse, é pra mostrar que doença?

Ela (perceptivelmente triste por nao poder falar mais sobre a bilirrubina) - icterícia.

Eu (perceptivelmente feliz, por saber que o papo-bilirrubina estava chegando ao fim) - ok, pode fazer.

Ela (ela queria era conversar, acho) - talvez nem seja necessário, é que eu achei a Juju meio amareladinha mas...

Eu (decepando) - pode fazer, faz!

Ela (decepcionada? triste?) - eu ligo mais tarde pra dizer como ela está.

Eu desliguei o telefone com aquela sensação de "caguei o pau", mas poxa, ela já me deu aula de tudo o que podia rolar pelo interior de um gato. Eu simplesmente não estava preparada pra bilirrubina, hoje cedo. Ninguém em sã consciência quer bilirrubina logo após o café da manhã. Ora.

Com o final da novela da Globo “Cordel Encantado” (a melhor novelinha de todas, ever, ever) eu lembrei do Cordelzinho Encantado que fiz como lembrancinha do nascimento da minha obra prima, ou melhor dizendo, minha obra filha, a Isadorinha.

Meu parceiro “no crime”, o Chico, cuidou da produção (literalmente, hehehe). A capa foi presente do Mário Sanders.

Resolvi republicar aqui porque tava lá perdido, no meu antigo blog, que ainda consegui encontrar, abandonei porque é aquele, da UOL, e é muito limitado, nem ferramenta de busca decente tem. Foi por isso que migrei pra cá.

Então, o Cordelzinho Encantado conta a saga da Isadorinha desde antes de nascer, quanto tivemos que convencer o Chico a reverter uma vasectomia de quase 18 anos e a ter um terceiro filho. Foi peia, mas conseguimos. E o resultado está agora aqui, adormecida ao meu lado, grandona, linda e inteligentíssima, toda se achando.

No início, uma batalha
Essa menina travou:
Libertar todo um exército
De sementes libertou.
O pai, na ponta da faca,
Na mesa de cirurgia
Foi a primeira vitória
Dessa guerreira guria.

Depois, da mãe, já passada,
Ela tratou de cuidar
Foi ver se ainda prestava
Pra modo de engravidar.
No meio de tanto exame
A véia surpreendeu
E de repente, no susto,
Um barrigão floresceu.

Papai-avô deu no couro
Porque é cabra do sertão
Mamãe respondeu à altura
Por causa do sangue alemão.
O fruto dessa mistura
De Rio Grande com Ceará
É ela, se chama Isadora
E mais esperada não há.

Fez papai virar pedreiro
Fez mamãe largar a farra
Preparou todo o terreiro
Porque teve muita garra.
Mostrou-se sempre atrevida
Na telinha do ultra-som
Essa Isadora querida
É mesmo tudo de bom.

Deixou tanta gente feliz
Antes mesmo de chegar
Vovô sorriu lá do céu
Vovó veio de longe pra cá.
Os avós lá de São Paulo
Enviaram muito carinho
Que chegou para somar
Ao da madrinha e padrinho.

Arre-égua, barbaridade,
Enfim chegou a tal hora
Em que sai dessa barriga
Para o mundo, Isadora!
Pois seja muito bem-vinda,
Venha tomar o que é seu:
Sua vitória foi linda
E você mais linda nasceu.

Faz um bom tempo (um tempo bem grande, aliás) li o Uma longa queda, do Nick Hornby, e nunquinha que falei dele aqui. Pois agora eu vou falar. Ainda tenho ele na memória, acho.

O lance do livro é assim: quatro figuras tri diferentes entre si resolvem se suicidar na noite de reveillon e sobem no terraço do prédio, digamos, mais suicidável de Londres.

Ali em cima eles percebem que têm vontade de se matar mas não têm coragem. E começa um relacionamento tragicômico entre eles, cheio de idas e vindas, descobertas, micos, desassossegos – nada fica na zona de conforto. Aliás, não rola uma zona de conforto nesse livro, apesar de ser bem gostoso de ler.

É divertido, pra quem curte o humor inglês. Eu curto. Eu me diverti. Eu gosto de ironia. (Se não gostasse estaria frita, afinal estou casada há quase 20 anos com o Chico, hehehe…)

Gostei muito desse lance de ser narrado em primeira pessoa pelos quatro personagens, que se alternam na narrativa de uma forma bem legal. Engraçado é que eu tinha acabado de ler o Pequena Abelha, onde duas personagens também tri diferentes entre si alternam a narrativa em primeira pessoa. Fiz até este post aqui sobre o livro, espia. Então, eu estou gostando MUITO dessa forma de narrativa, e agora estou torcendo que isto seja uma espécie de AVISO dos céus de que vai ser desse jeito que vou escrever meu romance que será um sucesso retumbante e… viajei.

Voltando. Bom, eu recomendo a leitura, porque eu curti. Curti pra caralho. Ops, foi mal, Maureen.

Então que assisti o controverso filme “A Árvore da Vida”. Antes de ir, porém, resolvi ler a crítica da minha amiga Valéria Dalegrave, e isso foi o mesmo que comprar uma passagem de primeira classe para embarcar nessa viagem delicada que o diretor Terrence Malick resolveu fazer. Pois então que eu embarquei positivamente impactada pelas palavras da amiga que tem uma sensibilidade que conheço e respeito.

Como a própria Val disse, para falar do filme tenho que – necessariamente – falar de mim. Eu posso não ser um Terrence Malick mas eu também faço as minhas viagens existenciais em busca do infinito e além. Ô se faço.

Eu sou/estou sempre em crise. Em ondas, em ciclos, em eras. Pareço estar estática, mas estou sempre ebulindo, dissolvendo, cristalizando, precipitando – quase que magmaticamente falando. Meu movimento não aparece diante dos olhos de quem esteja me olhando, é interior. Este movimento absurdo me faz crescer, sim, mas é um crescimento infinitamente pequeno, milimétrico, mínimo. Meu movimento tão intenso e tão minúsculo está me fazendo evoluir, sim, e eu posso sentir isso a cada retrocesso que não chego a cometer.

Para mim o filme é uma tentativa de entender as dúvidas da alma. O que é Deus, o que é dor, universo, amor, medo, emoção, alegria, crescer, tato, nascimento, a pedra, a planta, o pé no chão, olhar, cheirar, água fresca, altura, vento no rosto, o grande e o pequeno, a força e a doçura, a natureza e a graça. O infinitamente grande e o infinitamente pequeno. Os opostos sempre juntos, necessariamente juntos. O escuro e o claro. O yang e o yin. O pai e a mãe. O medo e o desejo.

Teve momentos do filme em que eu me vi chorando. Juro. Correram lágrimas, mesmo. Mas não foi um choro de “oh, que cena tocante… oh, que tristeza”. Não sei nem porque eu chorei, mais de uma vez, em cenas das quais nem recordo agora. Simplesmente chorei, minha alma chorou. De alguma forma a obra tocou minha alma, simples assim. Como uma sinfonia ou uma tela abstrata ou renascentista.

Vai ver eu estava – vai ver, não, eu estava, sim – naqueles dias de emoção à flor da pele. Mas foi fato que eu tirei o maior proveito de cada instante (que às vezes parecia eterno), mesmo o filme sendo chato. Hahaha… Porque é isso mesmo, enquanto filme, é um filme chato, a história não é contada como eu gosto de ouvir histórias, creio que é mais longo do que deveria (quem soy jo pra dizer isso?), é meio lisérgico e doidão demais, às vezes exagera na espiritualidade mesmo, tem que ter certa paciência com “a lombra” do Terrence…

Ah, mas eu adorei a viagem do cabra. Sentei na janela e nem me importei quando o trem do Terrence subiu e desceu colina verdejante, costeou o universo todinho desde o big-bang, tergiversou pelo criacionismo, desfilou darwinianamente por todas as etapas da evolução, pulou de estrelinha em estrelinha, brincou de dinossaurinho, pegou onda e mais onda, explodiu, queimou, ardeu, evaporou em borbolhas. Ufa, foi cansativo. Mas quem disse que formar um mundo inteiro é fácil?

(Aproveito e destaco aqui as horrorosas poltronas do cinema do Dragão. Gente, Unibanco, o que é aquilo? Tem que ver issaê, aquelas cadeiras são uma tortura!)

Nessa viagem, sabe por onde eu mais curti pessear? Foi no pequeno, no umbigo, no pertinho – que tá tão longe, meu pai! Foi no pezinho do bebê, por ali, sabe? As dobrinhas? As sensações da formação do mundo-gente. O universo infância. O menino que mora em cada um de nós. O meu menino-menina interior ficou feliz de sentir cada gotinha daquele banho de mangueira, do gatinho no colo, do cachorro latindo para a lata de leite vazia, o galho batendo na casca da árvore, o quebrar um vidro e achar que está assaltando o banco central; ah, todas aquelas texturas, todos  aqueles contextos…

(Outro parêntese: adoro Sean Penn, amo Brad Pitt. Atores maduros, fortes, alfas. E estão supimpérrimos no filme.)

Me impressionou muito a mão forte do pai. Eu quase pude sentir na pele aquele carinho que é um empurrão, o amasso firme que é protetor e repressor e acalentador e necessário. O abraço de urso. A pedra da represa. Me tocou muito também a força da doçura da mãe, uma ventania dentro de um balão de ar. A leveza, a gratidão, a religiosidade dos pequenos gestos.

Eu definitivamente não sei fazer crítica de filme. Desse, então, afemaria. Não dá pra explicar, não é fácil de gostar, o bicho estica a baladeira mesmo… Se você quer assistir, aceite se quiser, dê seu jeito, resolva aí suas paradas. Estou escrevendo aqui só porque senti uma necessidade imensa de falar e só sei falar assim.

Os opostos são poesia. Sinfonia de contrários. Pintura de tons pastéis versus cores contrastantes. Arte.

Aforante tudo isso, o filme a Árvore da Vida é uma questão de fé, eu acho. E recomendo.

Posso dizer que já passei tempo em um tempo em que
se arriscava mais em coisas reais
se viajava de carona
se ia na casa dos outros
transar de camisinha era raro
e era como chupar bala com papel
os sacos de supermercado eram de papel
sutiã era algo como… hein? ahn?!?
chuteiras eram pretas
o quadro negro não era branco, era verde
cinema era o francês
havaianas não era fashion, era chinelo mesmo
redatores publicitários eram meio que escritores frustrados
ou pelo menos poetas em potencial
diretores de arte eram artistas plásticos idem
comer doce era normal
calça jeans boa era aquela mais velhinha
só existia modess e sempre livre
ouvir mpb era tão cult quanto curtir rock inglês
comia-se bolinho de chuva
ter pais separados doía no coração
café e ovo ainda não faziam mal
tomava-se bolinha e fumava-se unzinho
na boa, sem ser drogado
os cabelos tinham personalidade, não era tudo louro e liso
tinha-se poucos amigos, muitos conhecidos
e nada de friends ou followers
na verdade, a gente até que via passarinho verde
mas não seguia passarinho azul
só existia o telefone fixo
e os discos eram de vinil
e saboreava-se mais as descobertas do sexo e do amor
as experiências eram mais pessoais
compartilhava-se menos, vivia-se mais
já faz algum tempo que este tempo passou
e por falar em tempos que mudam, que sejam os verbais
que seja o tempo em que você me amasse,
porque eu estou passada.

Bem, eu criei um polêmica comigo mesminha a respeito do Elogio da Madrasta, de Mario Vargas Llosa. Impliquei com o livro, depois conversei rapidamente (na verdade troquei rápidos tweets) com duas pessoas a quem prezo, e resolvi repensar esta minha implicância. Vamos ver.

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Uma coisa a gente tem que admitir sobre as pessoas pretensiosas: elas não costumam ter a mínima pretensão de corrigir seus erros.

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